Procon apela: ao abastecer, exija nota
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segunda-feira, 23 de julho de 2001
Cláudia Lopes De Londrina 
O Procon de Londrina está orientando os consumidores a exigir nota fiscal dos postos de combustível na hora de abastecer os seus veículos. A única forma do consumidor se proteger como cidadão é exercendo o seu direito e exigindo a nota fiscal para forçar o recolhimento dos impostos corretamente, disse Martiniano Tito Valle, coordenador do Procon em Londrina. A combinação de preços por parte dos donos de postos é crime contra a ordem econômica, conforme prevê a lei federal 8.137/90, afirmou, referindo-se ao valor praticamente tabelado que vigora no setor em Londrina.
Valle acredita que a sonegação fiscal seja grande no setor de combustíveis por falta de uma maior fiscalização. É um setor difícil de controlar. Além da sonegação de impostos, Londrina tem um grande problema de adulteração de combustíveis. O pior é que o consumidor está pagando caro por um combustível de qualidade duvidosa, afirmou.
Ele lembrou que o alto preço da gasolina e do álcool não vai coibir a prática de adulteração dos combustíveis. Quem vendia produto alterado não mudou de prática. O empresário só está tendo mais lucro, disse Valle.
O Procon de Londrina recebe diariamente entre 20 e 30 ligações telefônicas de consumidores reclamando do fato de todos os postos da cidade trabalharem com praticamente os mesmos preços. Em Londrina, o preço do litro do álcool varia de R$ 1,06 a R$ 1,09, e o da gasolina de R$ 1,76 a R$ 1,79. A maior parte dos postos vende os produtos por R$ 1,07 e R$ 1,77, respectivamente.
Quando algum posto começar a vender mais barato, o Procon vai divulgar o nome do estabelecimento. É uma forma de prestar orientação ao consumidor, disse Valle. Na maioria dos postos de Curitiba o litro da gasolina é vendido por R$ 1,59. Não tem explicação para o combustível custar tão caro em Londrina, reclamou.
Na semana passada, Valle encaminhou um requerimento ao Ministério Público Federal pedindo a abertura de inquérito para apurar a formação de cartel pelo setor de combustível em Londrina. Está claro que houve combinação de preços.
Valle também já havia feito o pedido ao Ministério Público Estadual. O promotor substituto de Defesa do Consumidor, Luiz Belinetti, apura as denúncias de formação de cartel pelo setor. O promotor prepara hoje pela manhã um requerimento sobre o caso. Mas só vou dar declaração sobre o assunto depois de entrar com o requerimento na Justiça, afirmou.
Em 10 de novembro passado, a Associação dos Revendedores de Combustíveis do Norte do Paraná (Arcom) lançou o documento Pacto Público, contendo um artigo que estabelecia um piso mínimo de preços para os combustíveis, sendo R$ 1,5148 para a gasolina e R$ 1,0420 para o álcool. O lançamento foi feito na Associação Comercial e Industrial de Londrina (Acil) e contou com a presença de várias autoridades.
A maioria dos participantes, porém, não sabia da existência do artigo e nem que o Pacto Público resultaria num aumento de preços nos postos, na época, de 12% (gasolina) e 33% (álcool). Dez dias depois do lançamento, a promotoria de Defesa do Consumidor obrigou a Arcom a rever o artigo, considerando a proposta irregular.
A vereadora Elza Correia, que na época discordou do piso mínimo, rechaçou ontem a formação de cartel em Londrina. A combinação de preços é visível. Como cidadã, me sinto ofendida. A gasolina é uma das mais caras do Brasil, disse. Segundo Elza, o consumidor deve exigir a nota fiscal no ato do abastecimento, além de prestigiar os postos que venderem mais barato. Temos que fazer um boicote contra os postos, conclamou.


