Procon alerta sobre juros do cheque
PUBLICAÇÃO
domingo, 26 de agosto de 2001
Márcia Vaisman<BR>Agência Estado 
Fatores econômicos externos, como a crise da Argentina, e internos, como o racionamento de energia, puxaram a taxa de juros bancários em julho, conforme aponta pesquisa mensal divulgada pelo Procon. O estudo, feito entre os dias 7 e 9 de agosto, indica que a taxa média do cheque especial nos 13 bancos incluídos na pesquisa foi de 8,73%, 0,10 ponto porcentual acima da apurada em junho.
A taxa do empréstimo pessoal também subiu. Enquanto a média de julho atingiu 5,23%, a do mês anterior indicava 5,04%. Outro fator que tem influenciado a elevação dos juros é a inadimplência.
''Dependendo do fator de risco, o porcentual cobrado é mais alto'', afirma a técnica de Estudos e Pesquisas do Procon, Cristina Rafael. E o índice de inadimplência aumentou 27% de janeiro a julho em relação ao mesmo período do ano passado, conforme pesquisa divulgada pela Serasa este mês. O levantamento indica que o total de cheques sem fundos nos sete primeiros meses deste ano é o maior desde 1991, ano que foi criado o índice.
Segundo o gerente de Mercado da Caixa Econômica Federal, Nédio Henrique Rosselli Filho, à medida que os clientes adquirem produtos do banco as taxas vão sendo reduzidas gradativamente. A Caixa cobra 8,25% por mês no crédito rotativo, mas o juro poderá declinar ao nível de 2,20% por mês, se houver a opção de manter uma conta de poupança no banco.
O diretor de Produtos da Sagy Consultoria - especializada em renegociações bancárias -, Osvaldo Calixto, afirma que não compensa adquirir outras ofertas das instituições porque o cliente estará onerando sua receita. ''A melhor alternativa é fazer um orçamento doméstico para controlar melhor o que entra e o que sai, pois muitos se descontrolam no planejamento por falta de atenção.''
Para quem entrou no limite do cheque especial e não consegue livrar-se dele, especialistas dão algumas dicas, como trocar a dívida por empréstimo pessoal, pois as taxas são mais baixas, ou a renegociação bancária. ''A renegociação é opção se as taxas se apresentarem mais vantajosas que as do crédito pessoal'', diz Cristina.
Contudo, é preciso ver se essa alternativa não restringe o nome do cliente no serviço de risco do Banco Central, impedindo que ele tenha acesso às demais negociações em outras instituições, alerta Calixto. ''


