Procon alerta sobre a cobrança de juros
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terça-feira, 21 de setembro de 2004
Luciana Pombo<br>Equipe da Folha 
Curitiba - Em Curitiba, várias pessoas que procuraram agências bancárias ontem voltaram para casa decepcionadas. Foi o caso da contabilista Vanessa de Oliveira, 28 anos. Ela estava desesperada em frente da agência do Itaú, na Rua Comendador Araújo (Centro). Vanessa recebeu uma carta para que comparecesse em 48 horas na agência para renegociar o empréstimo vencido. Ela bem que tentou. Pela terceira vez, teve que desistir. ''Eu trabalho em São José dos Pinhais (Região Metropolitana). É um absurdo ter que atravessar a cidade por causa de uma cartinha de aviso que eu tenho que negociar e não conseguir fazer nada. Não dá para admitir essa greve'', disse ela, indignada.
O aposentado e comerciante Mário Beatriz, 75 anos, também teve que procurar outro lugar para pagar a conta que vencia ontem. ''Vou procurar uma agência que esteja aberta. Vai ser mais trabalho, com certeza. Mas não tenho outra opção. Tenho que pagar em dia para que o título não vá para protesto'', argumentou ele. A estudante Melize Miranda, 19 anos, não pagar uma conta de telefone celular porque tinha que inserir no pagamento o número do código de identificação. ''Isso só dá para fazer no caixa'', explicou para ela o gerente da agência do Banco do Brasil. ''Quero ver agora o que vai acontecer comigo. Quero só ver se a empresa não vai cortar minha conta de telefone celular'', reclamou a estudante.
A responsável pelo Setor de Audiências da Coordenação Estadual de Proteção e Defesa do Consumidor (Procon), Cláudia Silvano, tranquiliza os clientes que não conseguiram fazer as transações bancárias e pagar contas por causa da greve. De acordo com ela, os bancos que cobrarem juros por contas não pagas até as datas de vencimento podem ser multados. ''Se houver a tentativa de pagamento, o consumidor está protegido pela legislação. Ele só precisa comprovar que foi a uma agência bancária através de testemunhas. O banco é obrigado a aceitar o pagamento e arcar com os juros'', explicou ela.
Nos casos em que os bancos não quiserem abrir mão de taxas e multas cobradas pelo atraso, o cliente pode procurar o Procon pelo telefone 0800-411512.
Apesar dos atropelos, na maior parte das agências visitadas ontem pela Folha, o movimento foi normal. Os clientes conseguiram fazer pagamentos, depósitos e saques nos caixas eletrônicos. As pessoas com mais dificuldades, como foi o caso da aposentada Maria Rosa Rodrigues, 74 anos, tiveram a companhia de gerentes para fazer as transações bancárias. ''Venho pouco ao banco. Fico desorientada. Mas com uma ajuda, tudo dá certo'', justificou a aposentada.
A dona de casa Izabel de Almeida, 48 anos, chegou a agência do Banco do Brasil desesperada. Ela precisava desbloquear o cartão eletrônico para fazer saques e depósitos. ''Foi um erro meu. Perdi o cartão dentro de casa e mandei alerta de furto. Agora achei e preciso usar, afinal os bancos estão em greve'', contou. Depois de alguns minutos de espera, Izabel saiu do banco com o cartão desbloqueado.


