O coordenador do Procon de Campo Mourão, Valter Velozo, disse ontem que vai enviar ao secretário de Estado de Defesa do Consumidor, José Tavares, um relatório que mostra a possível formação de ‘‘cartel’’ pelos postos de combustíveis da cidade. O relatório também será enviado ao Procon de Maringá, que investiga problema semelhante. Esta semana, Velozo pesquisou 21 postos de gasolina de Campo Mourão e confirmou a existência do preço único que, em alguns casos, chega a ser 15% superior ao preço anterior.
‘‘A variação vai de R$ 0,900 a R$ 0,908, ou seja, não chega a um centavo’’, conta Velozo. Ele fez a pesquisa depois que o órgão recebeu várias queixas do ‘‘aumento’’ do preço da gasolina em todos os postos da cidade. O caso também está sendo analisado desde outubro pela Promotoria de Defesa do Consumidor. Os donos de postos alegam que unificaram os preços para evitar a falência e dizem seguir uma planilha de custos. A planilha inclui entre os custos até os prejuízos com cheques sem fundos.
Segundo o coordenador do Procon, além da unificação dos preços para cima, os postos cancelaram promoções, como as que davam lavagens de carros, eliminaram os descontos para pagamentos à vista e suspenderam as vendas com cheques pré-datados. ‘‘Alguns postos até fazem essas promoções, mas não podem divulgá-las’’, diz. ‘‘Para mim, tudo isso caracteriza formação de cartel’’.
Além de Campo Mourão, Velozo pequisou o preço da gasolina num posto no distrito de Piquirivaí (18 km ao oeste) e em outro às margens da BR-158, já em Peabiru, mas a menos de 10 quilômetros de Campo Mourão. ‘‘Em Piquirivaí a gasolina é vendida a R$ 0,830 e em Peabiru a R$ 0,820’’, conta o coordenador. Para ele, o preço menor em Piquirivaí desmente o argumento de que o combustível subiu devido ao transporte a partir de Maringá.
‘‘Quem não ajustar o preço vai quebrar’’, disse à Folha o dono de posto Moacyr Adami. Ele contou que a ‘‘guerra dos preços’’ estava levando os estabelecimentos à falência e o novo preço fixado só é suficiente para cobrir os custos. Os proprietários de postos justificam ainda que não houve aumento e sim a ‘‘normalização’’ dos preços com o fim de descontos. Eles negam que estejam sendo obrigados a manter os preços iguais.

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