A Coordenadoria de Defesa e Proteção do Consumidor (Procon) do Paraná vai unir forças com a Associação Paranaense de Supermercados (Apras) para atuar contra a prática adotada por várias indústrias, de diminuir o peso de alguns produtos sem redução proporcional do preço. A união vai facilitar a fiscalização do Procon, já que a Apras tem relatórios do antigo e novo peso dos produtos comercializados e os respectivos preços.
O Procon e o Instituto de Pesos e Medidas (Ipem) constataram essa prática considerada abusiva em uma blitz feita ontem em dois supermercados de Curitiba, o BIG e o Carrefour. Segundo o coordenador do Procon, Naim Akel Filho, a redução de peso dos produtos não é considerada crime, porém as indústrias vão ser autuadas por manterem o mesmo preço cobrado pelas embalagens antigas. ''Elas estão embutindo um aumento mascarado para o consumidor'', afirmou.
A blitz verificou que a embalagem de sabão em pó Omo Cores de 900 gramas custava R$ 3,99, mais que a de 1 quilo, vendida a R$ 3,65. ''Garanto que o consumidor não sabe que está levando 10% a menos e ainda pagando mais'', disse Akel. Ele disse também que a caixa de 900 g dá a impressão de ser maior que a de 1 kg, confundindo as pessoas.
O biscoito Trakinas, por exemplo, foi encontrado em embalagens de 188 g e 200 g, ambas por R$ 0,92. O biscoito tipo waffer estava sendo comercializado em várias embalagens, de 200 g, 180 g, 160 g e 140 g. ''Como o consumidor vai comparar preço com os pesos diferentes? Ele tem que ser um gênio para passar por essa'', observou Akel.
O Procon e o Ipem também verificaram ''maquiagem'' de preço na sardinha Coqueiro, que passou de 130 g para 125 g, em várias marcas de papel higiênico, que reduziram a metragem de 40 metros para 30 metros e em caixas de ovos, que foram reduzidas de 1 dúzia para dez ovos em algumas marcas.
Depois que os fabricantes forem autuados pelo Procon, terão dez dias para se justificarem. Se for constatada prática abusiva, as empresas podem ser multadas entre R$ 200 e R$ 3 milhões. Segundo Akel, o Ministério da Justiça está analisando a possibilidade de formação de cartel, já que a redução do peso de produtos ocorreu em vários fabricantes de um mesmo setor.
O Procon está recebendo reclamações sobre o assunto pelo telefone 0800-411512.

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