Processo de saneamento do Banestado será investigado
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terça-feira, 12 de setembro de 2000
Carmem Murara De Curitiba 
A Comissão de Assuntos Econômicos do Senado (CAE) aprovou ontem por unanimidade dois requerimentos para que seja analisada a operação do Banco Central que liberou R$ 5,8 bilhões (valores corrigidos) para o saneamento do Banestado. Os senadores questionam o fato de o Banco Central ter injetado recursos para cobrir operações caracterizadas como desvio de verbas. O caso que mais chama a atenção dos senadores é o do Banestado Leasing, em que teriam sido desviados R$ 236 milhões em empréstimos com pouca liquidez para empresas que teriam sido privilegiadas pelo então presidente da Leasing, Osvaldo Magalhães dos Santos (morto em acidente em setembro de 1998).
O primeiro requerimento pede ao Tribunal de Contas da União que inicie uma verificação nas auditorias que o Banco Central fez no Banestado, sem prazo para conclusão. O segundo determina a convocação da diretora financeira do Banco Central, Tereza Gross, para ela explicar a operação na Comissão de Assuntos Econômicos. O depoimento será marcado para o próximo mês. Questionaremos por que o dinheiro foi liberado, pois o Banco Central sabia que houve desvio no Estado, afirmou o senador Osmar Dias (PSDB-PR), autor das duas solicitações.
Dias afirmou que a intenção dos senadores é saber quem é o responsável pelos desvios e quem ressarcirá os cofres públicos. O Tribunal de Contas poderá entrar com um processo contra o governo estadual para que ele devolva o dinheiro, afirmou.
O presidente do Banestado, Reinhold Stephanes, disse que a atitude da Comissão de Assuntos Econômicos é sem sentido, pois o Ministério Público já está fazendo, há vários meses, uma investigação sobre os empréstimos que a Banestado Leasing fez de maneira irregular. Os promotores deverão oferecer denúncia contra os diretores da Leasing envolvidos no caso e contra as empresas que teriam sido beneficiadas.
Uma coisa é o Banco Central ter injetado dinheiro no Banestado para manter os depósitos de seus correntistas. Outra coisa é a punição criminal de quem desviou dinheiro, justificou o presidente do banco, ao lembrar que parte dos bens dos envolvidos no escândalo da Leasing já foi bloqueada.
O secretário da Fazenda, Giovani Gionédis, também disse ter sido regular a liberação dos recursos para cobrir o rombo do Banestado. O próprio Senado aprovou o saneamento, disse. Para provocar o senador Osmar Dias, ele lembrou que parte do rombo do banco veio da extinção do Badep, feita da época do governo Alvaro Dias (irmão de Osmar).


