São Paulo - O economista-chefe da Febraban, Rubens Sardenberg, afirmou ontem que está em curso no País o processo de queda dos spreads, que é compatível com a velocidade de redução da taxa básica de juros, a Selic. Na última sexta-feira (31), o presidente do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES), Luciano Coutinho, exortou os bancos comerciais a aumentarem o volume de concessão de crédito e reduzir os custos das operações de financiamento para famílias e empresas. Ele chegou a comentar que as instituições financeiras precisam confiar mais nas perspectivas da economia brasileira.
Na avaliação de Sardenberg, os bancos estão atuando para reduzir os spreads. Segundo ele, dados do Banco Central (BC) apontaram em dezembro do ano passado que a taxa média anual para o spread, para pessoa jurídica, estava em 18,4% e baixou para 18,3%, em junho deste ano. No caso da pessoa física, este indicador variou de 45% para 35,7% no período. A soma geral variou de 30,7% para 27,2%. Para ele, no entanto, a apuração desses dados, realizada pelo BC, abrange 50% das negociações do total das operações de crédito no País.
Segundo ele, cálculos realizados pela Febraban, que englobam 72% das operações de financiamento - as quais incluem crédito imobiliário - mostram taxas menores. O spread para pessoas físicas atingiu 29,1% no último mês do primeiro semestre deste ano, enquanto para empresas ficaram em 13,9% e a média geral, em junho, atingiu 20,2%.
Perguntado pela reportagem se os níveis dos spreads calculados pela Febraban não estavam bem acima da taxa Selic - que baliza o custo de captação dos bancos -, Sardenberg apontou que há fatores estruturais que são responsáveis por esse diferencial.
Entre esses elementos, ele citou a inadimplência e o peso dos impostos relativos à intermediação financeira. ''Acredito que o processo de redução dos spreads vai continuar e, inclusive, dentre outros fatores, porque há concorrência no setor financeiro.''
Entenda o Economês
Spread: Taxa adicional de risco cobrada sobretudo (mas não exclusivamente) no mercado financeiro internacional. É variável conforme a liquidez e as garantias do tomador do empréstimo e o prazo de resgate. A crise de liquidez que se instalou no mercado financeiro internacional no final dos anos 70 e início dos 80, especialmente depois da segunda grande elevação dos preços do petróleo em 1979, generalizou o uso do spread, o que sobrecarregou a dívida externa de muitos países. O Brasil pagou spreads muito elevados no processo de rolagem de sua dívida externa durante os anos 80.

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