Processo da Boi Gordo é transferido para São Paulo
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quarta-feira, 03 de julho de 2002
Marta Medeiros <BR>Equipe da Folha 
Maringá Investidores do Grupo Fazendas Reunidas Boi Gordo S/A conquistaram no Tribunal de Justiça do Mato Grosso a transferência de foro para a capital de São Paulo. A decisão por unanimidade proferida no último dia 28 pelo desembargador Mariano Alonso Ribeiro Travassos contempla uma medida de segurança impetrada por investidores da capital paulista. Em outubro do ano passado, a Boi Gordo pediu concordata na comarca de Comodoro, pequeno município que fica a 677 quilômetros de Cuiabá (MT).
Os investidores questionaram na Justiça que a distância dificultaria a defesa e impugnação do pedido de concordata. Além de obstruir o acesso à Justiça, o mandado de segurança argumentou o fato de que 90% dos investidores estão em São Paulo e que o contrato da própria empresa contempla a capital paulista como foro competente para demandas judiciais.
Em Maringá, a decisão do Tribunal de Justiça do Mato Grosso foi recebida com alívio pelo Grupo Solidariedade e Defesa dos Investidores da Boi Gordo. O grupo formado no ano passado abriga 50 pessoas de vários municípios das regiões Norte e Noroeste do Paraná. Representantes do grupo avaliam que nestas duas regiões do Estado os investidores correm o risco de perder cerca de R$ 2 milhões pela compra de gado da Boi Gordo.
Segundo o presidente do Grupo Solidariedade, Shiguemassa Iamasaki, as irregularidades da empresa são gritantes. No processo de concordata, a Boi Gordo apresenta um débito de R$ 800 milhões e um ativo de R$ 570 milhões. O débito, porém, com a soma de rendimentos devidos aos investidores ultrapassa R$ 1,3 bilhão. Iamasaki afirma que o processo de pedido de concordata é falho porque um dos requisitos é a viabilidade da empresa. ''Pelos valores de débito e crédito é fácil perceber que a empresa não é viável'', diz Iamasaki.
O advogado do grupo, Dirceu Pagani, diz que agora a Justiça de São Paulo irá se decidir pela concessão da concordata ou então pelo decreto de falência. Para os investidores do grupo, a falência seria interessante porque o Ministério Público e Polícia Federal podem ser acionados para evitar situações fraudulentas.
Iamasaki diz que hoje não existem dúvidas de que o caso envolvendo a Boi Gordo foi articulado visando um golpe nos investidores. Segundo Iamasaki, o atual consultor jurídico da empresa, Ariosvaldo de Mattos Filho foi ex-presidente da Comissão de Valores Mobiliários (CVM) órgão responsável entre outras funções pela fiscalização das sociedades anônimas. O advogado Dirceu Pagani, diz que é necessário uma investigação para apurar o desvio de dinheiro dos investidores para outras empresas ou mesmo em contas-correntes no exterior.
Serviço: O Grupo Solidariedade e Defesa dos Investidores da Boi Gordo está aberto para novos ingressos. Informações pelos fones (44) 223-4868 ou (44) 3026-5604 com Iamasaki ou Ivanildo.


