As medidas que a Anatel (Agência Nacional de Telecomunicações) adotou em relação à Sercomtel devem servir de modelo para o processo contra a Oi. A multinacional entrou com pedido de recuperação judicial em junho do ano passado e realizará no dia 9 de outubro a assembleia geral de credores (leia mais nesta página).
De acordo com o especialista em telecomunicações, Samuel Possebon, editor do site Teletime, apesar dos indicadores econômicos da Oi serem melhores do que os da Sercomtel, a situação da empresa é mais complicada. A dívida da Oi chega a quase R$ 65 bilhões. "A Anatel deve usar o processo da Sercomtel antecipando-se à uma possível decisão judicial de falência da empresa. Tudo o que acontecer com a Sercomtel em relação as diligências da Anatel deve ocorrer com a Oi", avalia Possebon.
Na última quinta-feira (24), o órgão regulador apertou o cerco à empresa londrinense, limitando sua autonomia para alienar ações e vender patrimônio. E ainda abriu uma comissão interna para acompanhar mais de perto a Sercomtel. O processo pode culminar com a cassação da concessão da operadora para explorar telefonia fixa.
A dívida da Sercomtel é menor que a da Oi, mas a restrita abrangência de atuação complica sua situação, na avaliação de Possebon. "Um dos problemas da Sercomtel é a característica de ser uma empresa controlada 45% pelo Estado (Copel) e 55% pela Prefeitura, o que a deixou suscetível a brigas políticas. Isso contaminou a gestão. A empresa também sentiu a concorrência das empresas de telefonia de atuação nacional", comentou.
Segundo ele, a decisão da Anatel surpreendeu, mas não há um prazo para conclusão do processo em andamento. "É um caso urgente e as decisões na Anatel têm sido tomadas rapidamente. Independentemente disso, não há risco de a empresa parar de funcionar", afirmou.
Eduardo Tude, diretor da consultoria Teleco Inteligência em Telecomunicações, discorda. Para ele, a decisão da Anatel era esperada. E o processo não será resolvido em curto prazo. "Não é para esse ano", afirma. Questionado se acredita que a agência irá decretar a caducidade da empresa londrinenses, diz que não. "É mais para fazer pressão por uma solução da empresa", ressalta.
Mas essa solução, na opinião de Tude, é a venda da operadora. "A raiz do problema da empresa foi justamente a decisão no passado de mantê-la pública. Há muitas limitações numa empresa pública. (A Sercomtel) não tem como concorrer num ambiente competitivo, que exige renovação de tecnologia a toda hora."
Além da empresa londrinense e da Oi, a Nextel também enfrenta uma situação econômica delicada, mas ainda deve se equilibrar por um tempo. "A próxima na lista da Anatel deve ser mesmo a Oi", afirma Possebon (Colaborou Nelson Bortolin).

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