Camila Moreira
Agência Estado
São Paulo – Dois problemas que afetam a produtividade das lavouras de soja no Brasil têm desafiado os pesquisadores atualmente - um novo tipo de anomalia conhecido como Soja Louca II e a resistência das chamadas super ervas daninhas aos produtos utilizados em associação com o glifosato, um dos herbicidas mais utilizados no mundo. Em casos mais extremos, ambos podem provocar perdas de cerca de 50% da produção.
  A Soja Louca II vem sendo tratada como uma anomalia, mas sua causa ainda é desconhecida. Quando ocorre, a planta não amadurece e registra alto índice de abortamento de flores e vagens. Em outros anos foram registradas ocorrências no final do ciclo de desenvolvimento da soja, mas nesta safra ela surgiu mais cedo, no começo da fase vegetativa, e preocupa principalmente em áreas mais quentes, com casos no Maranhão, Tocantins, Pará e norte do Mato Grosso, o principal Estado produtor.
  No que se trata de ervas daninhas, a preocupação agora é com a solução encontrada para controlar a resistência das chamadas super ervas daninhas ao glifosato, um dos herbicidas mais importantes na agricultura.
  No Brasil já foram registradas cinco dessas plantas resistentes: o capim amargoso (digitaria insularis), o azevém, o amendoim bravo e dois tipos de buva, esses os mais preocupantes por serem um tipo de erva que está espalhada pelo Paraná e pelo Rio Grande do Sul, Estado pioneiro no uso de soja transgênica tolerante ao glifosato.
  Para controlar a resistência dessas plantas ao glifosato, a solução encontrada foi utilizar outros produtos parceiros, como herbicidas graminicidas, inibidores da ACCase ou da ALS, dependendo da planta. E se a preocupação antes era com o uso errado do glifosato, agora é com a utilização indiscriminada desses produtos, já que as ervas daninhas também podem ampliar a resistência a eles.
  ‘‘Se não controlarmos muito bem o uso desses produtos, eles serão perdidos’’, explicou Dionisio Gazzieiro, pesquisador da Embrapa Soja, a estatal brasileira de pesquisa agrícola.

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