Problemas logísticos podem frear montadoras
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segunda-feira, 30 de agosto de 2004
Renata Stuani<br> Agência Estado 
São Paulo - Os obstáculos logísticos que afligem a indústria automotiva do Brasil não dão sinal de arrefecimento. Pior: eles devem representar um freio ao crescimento do setor a partir de 2005 e 2006. Para este ano, o setor prevê um recorde histórico de produção, com 2,1 milhões de veículos.
O Sindicato Nacional da Indústria de Componentes para Veículos Automotores (Sindipeças) já estima, para 2005, um novo recorde, com aumento de 8% na produção na comparação com o que se prevê para este ano. Parte desse desempenho será garantido pelas exportações.
Para produzir mais, as empresas também já elevaram as importações, em uma tendência que poderá se intensificar no ano que vem. As importações estão sendo vistas como saída para enfrentar a atual falta de componentes e matérias-primas. Com esse quadro, representantes do setor avaliam que haverá um colapso na infra-estrutura logística, principalmente nas rodovias e portos.
No ano passado e em 2002, quando o mercado doméstico esteve bem fraco, as montadoras e as autopeças foram buscar mercados para exportação, na tentativa de manter a rentabilidade. Deu certo. O setor automotivo do Brasil nunca exportou tanto.
Agora, o mercado doméstico melhorou e as empresas estão enfrentando gargalos na cadeia de suprimentos das fábricas, provocados por falta de peças e insumos. De acordo com os especialistas, continua difícil conseguir espaço em navios. O problema é grave no fluxo de exportação, mas já afeta também o de importação. Os profissionais se queixam da falta de contêineres e do alto custo dos portos nacionais. Também reclamam da falta de espaço para movimento de carga automotiva no Porto de Santos, o principal do País.
Para o vice-presidente da unidade de sistema de chassis da Robert Bosch do Brasil, José Mauro Pelosi, os problemas logísticos e de infra-estrutura podem prejudicar as vendas externas futuras da Bosch. ''Podemos passar a vergonha de vender e não conseguir entregar'', disse ele. ''Se não fizermos esforços para combater os problemas logísticos, não vamos conseguir exportar mais do que isso''. Segundo ele, a indústria está buscando soluções com os armadores, o governo e os operadores logísticos. ''Não estamos parados, estamos trabalhando para isso.''
José Hélio Contador Filho, presidente da fabricante de sistemas automotivos Visteon do Brasil, com sede nos Estados Unidos, acredita que as empresas poderão recorrer às importações para combater os atuais gargalos na produção. ''Vamos recorrer à importação de matérias-primas. Sem isso, não conseguiremos atender os novos pedidos; este é o pior planejamento possível, porque importar sai caro; mas não há outro jeito.'' De acordo com Contador, está em xeque a própria credibilidade do Brasil como exportador. ''Você não pode exportar num dia e no outro, não; você tem de cumprir os contratos.'' Segundo ele, o governo pode ajudar muito a combater os gargalos do comércio exterior incentivando a desburocratização.


