Problemas energéticos reabrem debate sobre sustentabilidade
PUBLICAÇÃO
domingo, 20 de abril de 2014
Fábio Galiotto<br> Reportagem Local 
O calor e a seca do início de 2014 pressionaram os sistemas de abastecimento de água e de energia elétrica do País, que passaram a sofrer a ameaça, respectivamente, de racionamento nas torneiras e de reajuste da tarifa em até dois dígitos. Cenário que reacende a discussão sobre a sustentabilidade do consumo, ainda que o assunto não seja novidade no Brasil.
A pesquisa Rumo à Sociedade do Bem-Estar, divulgada no mês passado pelo Instituto Akatu, aponta que 90% dos consumidores fazem escolhas com base no compromisso das empresas na redução do consumo de energia, desde que exista oferta de dois produtos com preço e qualidade semelhantes. Na sequência, as características preferidas são selos de proteção ambiental (89%), se não há animais maltratados na produção (87%), boas condições de trabalho (86%) e boa relação com a comunidade (85%).
Conscientização que é crescente, diz o gerente de Metodologias e Conteúdos do Akatu, Dalberto Adulis. Ele afirma que os entrevistados não foram questionados se as escolhas seriam as mesmas caso um produto sustentável fosse um pouco mais caro. "Mas sabemos que os alimentos orgânicos estão vendendo cada vez mais."
Na indústria têxtil, por exemplo, a preocupação com a economia de recursos é antiga e aponta para uma outra vertente da sustentabilidade, que são os avanços tecnológicos e da redução de custos. O setor diminuiu em 90% o consumo de água na última década, segundo levantamento da Associação Brasileira da Indústria Têxtil e de Confecção (Abit). Dos 100 litros que eram usados para produzir 1 quilo de tecido beneficiado, hoje são necessários apenas 10 litros.
Para o gerente da área internacional e de economia da Abit, Renato Jardim, a necessidade de ter uma produção sustentável tem origem em novas regulamentações do governo, no consumidor e no próprio mercado. "As empresas têm de buscar a excelência todos os dias para ter competitividade, ainda mais a têxtil, cujo cenário é de forte concorrência e nem sempre leal."
A associação empresarial até lançou o Selo Qual, certificação para produção no setor de forma ética, social e ambientalmente sustentável. "Não só porque vai ser amigável ao meio ambiente, mas porque reduz custos."
Mesmo assim, o gerente do Akatu lembra que é preciso pensar em mudanças na estrutura de formação de preços nos próximos anos, que considerem a economia de recursos naturais. "O gás carbônico emitido na produção de um bem não entra no preço, mas, se deixa o rio poluído e isso gera escassez no abastecimento de água, mesmo quem não consome aquele item acaba pagando por isso."
A pesquisa da Akatu aponta que 92% dos consumidores deixam de comprar um produto quando uma empresa faz propaganda enganosa. A rejeição também existe quando há riscos à saúde (91%), as empresas apresentam algum tipo de preconceito por gênero, raça, religião ou preferência sexual de funcionários (88%) ou se fornecedores impactam negativamente no meio ambiente (86%).
Outro dado que mostra o aumento da desconfiança do público com as marcas é que 44% não acreditavam nas informações vindas de empresas em 2010, fatia que pulou para 49% em 2012, segundo Adulis.


