Problemas crescem junto à produção de biodiesel
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quinta-feira, 03 de outubro de 2013
Ricardo Maia<br>Reportagem Local 
A produção de biodiesel de 2008 a 2012 cresceu mais de 1.000% no Paraná, segundo dados da Associação de Produtores de Bioenergia do Paraná (Alcopar). Somente no ano passado, as indústrias paranaenses produziram um pouco mais de 120 mil m³ de óleo. Mesmo com esse crescimento explosivo, o setor ainda passa por dificuldades, principalmente porque o valor do produto é alto em relação ao diesel.
José Adriano da Silva Dias, superintendente da Alcopar, explica que o diesel recebe subsídios do governo federal, por isso o litro do combustível chega a ser até 22% mais barato do que o biodiesel. Para se ter uma ideia, em Londrina, por exemplo, o valor médio do diesel entre os dias 22 e 28 de setembro, segundo dados da Agência Nacional do Petróleo (ANP), ficou em R$ 2,254 o litro. "É necessário políticas públicas de incentivo ao biocombustível", observa Dias. Ele completa que a Petrobras paga um valor muito elevado pelo biodiesel, mesmo comprando por meio de leilões. "Agora, a pergunta que fica é quem vai subsidiar o nosso biodiesel?", questiona o especialista.
Atualmente, o diesel nacional possui em sua composição 5% de biodiesel, o que garante, segundo especialistas, a manutenção de muitas usinas que ainda conseguem sobreviver. O professor José Carlos Laurindo, da Universidade Federal do Paraná (UFPR), especialista em bioenergia, reforça que o grande problema do biodiesel realmente é o preço. Além da falta de subsídios, Laurindo completa que o alto custo do óleo de soja, principal matéria-prima utilizada para a produção de biodiesel, vem reduzindo a competitividade do combustível. Em consequência disso, ele afirma que algumas unidades já fecharam, restando apenas algumas grandes indústrias que conseguem, de certo modo, se manter na atividade.
Uma das saídas para este problema, aponta o professor, seria incentivar a utilização de outras matérias-primas para extração de óleo que não competem com o setor de alimentos, como o pinhão manso ou o nabo forrageiro. Para garantir a viabilidade da produção em larga escala de óleo desses produtos alternativos, Laurindo observa que seria necessário investir em novas tecnologias direcionadas para essas culturas, principalmente no processo de plantio e colheita. A criação de novos maquinário, assegura ele, já seria o primeiro passo.
Segundo dados da ANP, o Brasil produziu no ano passado 2,72 milhões de m³ de biodiesel, o que representa, em média, 17% da matriz energética nacional. No Paraná, com base no último levantamento realizado em 2010, o biocombustível representou 25% da matriz energética do Estado.



