A ferrugem asiática, sem dúvida alguma, é um dos maiores problemas que o sojicultor enfrenta nas lavouras atualmente. A grande questão é a seguinte: será que o sistema produtivo entende o impacto para os próximos anos deste fungo nas lavouras? A pesquisa já acendeu esse sinal vermelho e não cansa de alarmar a cadeia.

Carlos Alberto Forcelini, pesquisador da área de doenças e plantas da Universidade de Passo Fundo, conversou com a FOLHA durante a RPS e trouxe informações alarmantes. Ele explica que o fungo Phakopsora pachyrhizie atualmente é resistente aos três principais grupos de fungicidas usados contra ele, algo inédito no mundo todo. "Chamamos isso de resistência tripla, não há nada com essa característica no mundo. E estamos falando de uma cultura que ocupa uma área enorme no País e que mantém o PIB agrícola superavitário".

E aí vai mais uma informação para deixar o setor de cabelo em pé: a expectativa de que novas moléculas cheguem ao mercado num cenário de 7 a 8 anos, talvez em 2025. "São grandes desafios neste período para manejar uma doença que teoricamente está ficando pior, com ferramentas de defesa cada vez menos eficientes", relata Forcelini.

Para reverter a situação dificílima, o pesquisador relata a necessidade de introdução de novas moléculas no País, liberando-as rapidamente pelos órgãos de regulamentação, desenvolver mais cultivares resistentes à doença, antecipar o calendário de semeadura utilizando sementes mais precoces e melhorar muito como se aplica esses defensivos no campo. "Hoje também temos reforço com produtos que são utilizados há décadas no setor de hortaliças e frutíferas, além do trigo e cevada na Europa, que teve problemas de resistência antes de nós e já utiliza essas ferramentas há mais tempo. São produtos que pela sua natureza têm baixo risco de desenvolver resistência, e então, usados nos conjunto com os demais, estabilizam o processo".

Apesar dessas alternativas, o pesquisador não titubeia em dizer que o "pior dos mundos" ainda é mais latente do que uma reversão do quadro no período. "O mais provável é que a ferrugem continue forte, os fungicidas se tornam menos eficazes, as aplicações aumentem e, consequentemente, o custo para manter a cultura também. Além do impacto ambiental como um todo". (V.L.)

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