Não foi a eficiência do sistema logístico que fez desaparecerem as filas na BR 277. Para as lideranças de caminhoneiros, outro fator explica o fato de o trânsito fluir bem na descida da serra mesmo no pico da safra. "Nós estamos movendo várias ações contra os embarcadores, que estão pensando duas vezes antes de mandar carregar o caminhão", afirma Carlos Roberto Delarosa, presidente do Sindicato dos Caminhoneiros Autônomos (Sindicam), de Londrina.
"A Operação Safra não é essa maravilha toda que o governo fala", declara. De acordo com o sindicalista, depois de 24 horas parado, o caminhoneiro tem direito ao valor de R$ 1 por tonelada de carga, por hora.
Para ele, a fila só mudou de lugar e o caminhão "continua sendo usado como armazéns" pelos embarcadores. "Como cresce a pressão pelo fim das filas perto dos portos, elas estão se formando mais próximas da origem da soja", afirma. Delarosa explica que o veículo sai da roça carregado com a nota fiscal do produtor e o motorista tem de trocar o documento por outro no terminal da trading. "Aí, a trading segura o caminhão alguns dias até ter autorização para ir ao porto. Isso tem acontecido muito em cidades como Rondonópolis (MT)", declara.
O Porto de Santos pretende implantar neste ano um sistema de pré-agendamento parecido com o de Paranaguá. Na opinião do sindicalista, haverá grandes concentrações de caminhões no interior dos principais estados produtores. (N.B.)

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