A síntese do 2,4D já era conhecida em 1942 e, mesmo assim, ainda há muitas dúvidas de como fazer a correta aplicação do produto. O chefe do Setor de Fiscalização de Comercialização de Agrotóxicos da Secretaria Estadual da Agricultura e Abastecimento, Alvir Jacob, e o engenheiro agrônomo Dionisio Gazziero, da Embrapa, acham que há orientação suficiente para a aplicação do herbicida, mas mesmo assim os usuários não tomam os cuidados necessários. Já o professor de Agronomia da Universidade de Londrina (UEL), Carlos Vieira de Almeida, acha que falta informação.
De acordo com Jacob, além da embalagem do 2,4D trazer todas as especificações, o agronômo que o receita explica ao comprador como o herbicida deve ser usado. Porém, ele acha que esse conhecimento não adianta se as condições climáticas não forem adequadas. ‘‘Por mais que se tome todas as medidas recomendadas, na hora pode vir um vento e jogar à deriva, causando um grande problema’’, opinou. Mas ele acrescentou que mesmo assim é preciso observar bem todas as recomendações técnicas.
Gazziero disse que já foram feitas várias campanhas de esclarecimento. ‘‘Mas isso não quer dizer que o usuário faz o que tem que ser feito, falta conscientização’’, criticou. Ele afirmou que o 2,4D é muito eficaz e que os problemas que ocorrem são pelo uso incorreto. ‘‘Esse produto é muito antigo e, mesmo assim, conseguiu atender as exigências ambientais e toxicológicas de hoje’’, salientou. Para poder ser comercializado no Brasil, o 2,4-D teve que passar pelo crivo do Ministério da Agricultura e do Instituto Brasileiro de Meio Ambiente e Recursos Naturais Renováveis (Ibama).
O professor da UEL acha que há muitos problemas envolvendo o 2,4D e outros inseticidas e fungicidas porque falta treinamento. ‘‘Na faculdade temos a disciplina de tecnologias de aplicação, que dura um ano do curso. Mas quem faz a aplicação não é o agronônomo e sim alguém que não tem muita experiência’’, analisou. Ele disse que os governantes deveriam incentivar os funcionários e produtores rurais a fazer cursos no Serviço Nacional de Aprendizado Rural (Senar). ‘‘Poderiam fazer uma lei exigindo que o aplicador de qualquer herbicida tivesse que ter a certificação do Senar’’, sugeriu. (R.F).

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