Brasília - O secretário argentino de Agricultura, Miguel Campos, informou ontem ao ministro interino da Agricultura, Linneu Costa Lima, que o embargo decretado à carne brasileira pode ser suspenso hoje. Campos acrescentou que, assim que as informações sobre o foco no Pará forem analisadas pelos técnicos da Secretaria Nacional de Sanidade, as importações serão normalizadas.
De janeiro a maio, o Brasil vendeu 13,8 mil toneladas para a Argentina no complexo carnes (bovina industrializada, suínos, frangos e perus), totalizando US$ 19 milhões. Em 2003, foram 46,3 mil toneladas, ou US$ 51 milhões. Costa Lima também deve receber amanhã informação oficial do governo russo sobre o fim do embargo às importações de carne do Brasil, suspensas desde sexta-feira.
O embargo russo pode ser uma estratégia comercial para derrubar os preços internacionais da carne. Já o caso da Argentina pode ser uma estratégia para limitar o comércio de carnes com o Brasil. A avaliação é do presidente da Fórum Nacional de Pecuária de Corte da Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil (CNA), Antenor Nogueira. Com o embargo, produtores argentinos, segundo ele, estarão livres - mesmo temporariamente - da concorrência brasileira. ''Pode haver interesse em controlar comércio de frango e de suínos. Os argentinos não compram grandes quantidades de carne bovina do Brasil.''

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