Curitiba - A distribuição de óleo diesel ainda não está normalizada no Paraná e agora também começa a afetar o abastecimento de gasolina. O presidente do Sindicato do Comércio Varejista de Combustíveis do Paraná (Sindicombustíveis-PR), Roberto Fregonese, disse que a Refinaria Presidente Getúlio Vargas (Repar), localizada em Araucária, começou a bombear diesel na última sexta-feira à noite. Apesar de a refinaria ter normalizado o abastecimento, agora o problema é que não há caminhões suficiente das distribuidoras para atender toda a demanda reprimida.
''Hoje (ontem) tem produto, mas não há caminhões para atender toda a demanda'', disse. Segundo ele, também foi necessário trazer diesel de Canoas (RS) e Paulínea (SP) para poder atender os postos de Curitiba, Região Metropolitana e Ponta Grossa, locais nos quais foi registrado o problema.
''Agora o problema não é o combustível, mas a logística'', disse Fregonese. Ele acredita que a situação volte ao normal apenas amanhã ou quinta-feira. Segundo ele, não haveria nenhum motivo para subir o preço dos combustíveis. O diretor regional do Sindicombustíveis em Londrina, Durval Garcia Junior, disse que a cidade não havia sido afetada com problemas de desabastecimento até ontem.
A normalização do abastecimento de diesel na última sexta-feira só ocorreu porque a Agência Nacional de Petróleo (ANP) liberou a comercialização do diesel S1800, que é mais poluente e estava proibido na região de Curitiba. Fregonese explicou que o S1800 foi liberado emergencialmente apenas na sexta-feira. Nesta semana, a Repar está bombeando só diesel S500. Ele não descartou a possibilidade de ocorrer problemas no interior do Estado.
O caminhoneiro Pedro Rodrigues, disse que encontrou três postos sem o diesel nos últimos dias na BR-116. ''Agora, ainda estou com o S1800 no caminhão'', contou. Segundo ele, este tipo de diesel deixa o caminhão com menos potência e já apresenta algumas falhas.
O músico Fellipe da Luz contou que parou em um posto em Curitiba no domingo que não tinha gasolina aditivada. ''Prefiro a aditivada, mas tive que abastecer com a gasolina comum'', disse. Ele relatou que viu alguns postos com filas na cidade. ''Meu pai tem uma empresa de vans e não conseguiu abastecer com diesel'', disse.
O gerente de um posto Ipiranga no bairro Campina do Siqueira, que preferiu não se identificar, contou que o estabelecimento fez um abastecimento preventivo de diesel e gasolina porque já sabia que iria faltar combustível. ''Na última quarta-feira fizemos um carregamento de 15 mil litros de diesel e na sexta-feira de 30 mil litros de gasolina'', contou. O normal do estabelecimento é abastecer nestes dois dias com 5 mil litros de diesel e 10 mil a 15 mil litros de gasolina. ''Agora temos estoque para uma semana'', contou.
O problema de desabastecimento ocorreu porque com a migração do diesel S1800 para S500 a partir de março, a refinaria teve seu fornecimento contingenciado para se ajustar às novas demandas. Além dos ajustes internos na produção, a Petrobras também está enfrentando um período de alta demanda deste tipo de combustível, devido ao aquecimento do mercado com a safra agrícola.
O S1800 possui 1,8 mil partes por milhão (ppm) de enxofre em sua composição. Este diesel é considerado mais poluente e o uso vem sendo restringido no Brasil desde 2009. Até o fim de 2013, o S1800 não poderá mais ser utilizado no Brasil.
O diesel S500 é menos poluente e hoje é o mais comercializado no País. Desde 1º de março já é vendido no Paraná todo. A partir de janeiro deste ano, todas as montadoras nacionais de ônibus e caminhões foram obrigadas a produzir modelos com motores adequados a este diesel ainda menos poluente. Ainda há o S10 que tem uma redução maior ainda de componentes poluentes mas, por enquanto, não é vendido no Brasil.

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