Algumas horas antes de começa a crucial votação sobre o aumento da contribuição previdenciária dos aposentados do setor público ontem, o presidente do Federal Reserve Board (Fed), Alan Greenspan, disse ontem, em Washington, que ‘‘o problema brasileiro é, largamente, um problema fiscal’’ e manifestou sua esperança na aprovação da medida. ‘‘Claramente, o Brasil está lutando para resolver essa questão’’, disse o presidente do BC americano.
O presidente do Fed mostrou apurado conhecimento das razões por trás da crise brasileira ao responder se o Brasil iria pelo mesmo caminho do México, em 1994. Ele chamou atenção para as diferenças entre as duas situações. ‘‘O probelma brasileiro é largamente fiscal. A economia do setor privado é uma entidade impressionante. Eles (os brasileiros) construíram uma estrutura produtiva e um sistema financeiro muito sofisticados’’.
Greenspan apontou, então, a causa da enorme dificuldade que existe hoje para administrar as contas públicas. ‘‘Em consequência de 20 anos de regime militar e autoritário, (os brasileiros) produziram uma Constituição em 1988 que efetivamente ou provavelmente moveu o pêndulo demasiadamenre na outra direção e criou inúmeros benefícios incorporados na Constituição e que, sem dúvida, excedem a capacidade subjacente do sistema produtivo (de financiar)’’. disse.
‘‘Deste então, tem havido um grande esforço para desvencilhar (o País) desses excessos e, com efeito, eles ainda estão trabalhando nisso e há um importante esforço a ser debatido e votado hoje pelo legislativo brasileiro.’’
Greenspan, que apenas dois dias antes recebera uma demorada explicação do ministro da Fazenda, Pedro Malan, sobre as razões da súbita mudança do regime cambial, usou uma expressão que o chefe da equipe econômica brasileira costuma repetir. ‘‘É um processo em andamento, mas é completamente óbvio que o problema fiscal - com enormes folhas de pagamentos nos estados e municípios, o sistema de pensão e o vencimento médio muito curto da dívida do governo, o que significa um aumento muito grande de juros no curto prazo - criou e continua a criar um círculo vicioso’’. ‘‘Mas eles estão claramente lutando para resolver essa questão’’, acrescentou.

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