Proálcool foi marketing, diz Aspásia
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terça-feira, 24 de junho de 1997
Agência Folha Nova York, EUA 
France PresseFHC com Helmut Kohl, em Nova York: jogada para mostrar postura forteA secretária-executiva do Ministério do Meio Ambiente, Aspásia Camargo, deu a entender ontem que o projeto de lançar uma nova versão do Proálcool foi apenas uma jogada de marketing do governo brasileiro. No começo do ano, ninguém sabia quantos chefes de Estado estariam na ONU (Organização das Nações Unidas), perguntavam até se o Fernando Henrique compareceria, afirmou.
Quando soubemos que os principais governantes do mundo, como Tony Blair, Jacques Chirac, Helmut Kohl, o próprio Clinton, no quarto dia de reuniões, participariam, tivemos de mostrar uma postura forte, marcar presença. Não podíamos falar abobrinha.
No domingo, ela havia dito que os novos carros oficiais seriam todos movidos a álcool, os táxis com este tipo de combustível teriam incentivo fiscal e que quem entrasse em consórcio de carros particulares teria prazo maior para pagar se fossem a álcool.
Desmentida pelo ministro Gustavo Krause, responsável pela pasta do Meio Ambiente, e pelo próprio presidente da República, que afirmou que não haverá volta ao passado, Aspásia tentava contornar a situação. A polêmica é saudável. Soube que o ministro Malan (Pedro Malan, ministro da Fazenda) e autoridades econômicas não ficaram satisfeitos, mas cabe ao governo acatar a opinião pública. O Brasil do pânico acabou. Não houve pânico, apenas panos quentes, declarou.
O papel do ministro Malan é acalmar o mercado, e é o que ele está fazendo. Não sou louca de brigar com ele, porque ele manda em mim, mas tudo faz parte de um certo jogo de cena.
Indagada pela reportagem sobre que medidas de incentivo ao álcool realmente o governo irá tomar, Aspásia desconversou. Não posso dar uma palavra final, o que existe apenas é um princípio básico de não deixar o carro a álcool morrer.
A secretária comentou ainda que o presidente sabia que ela anunciaria as medidas antes do início da sessão da ONU. Todos sabiam. Você acha que eu seria suicida de inventar uma coisa dessa?
De acordo com um grupo de diplomatas brasileiros que integraram a comitiva do presidente a Nova York, o Ministério do Meio Ambiente deve afastar Aspásia do cenário político no próximo mês. A idéia seria dar-lhe uma tarefa em algum lugar em que possa ficar afastada até que suas declarações tenham sido esquecidas.


