São Paulo - A Associação Brasileira de Defesa do Consumidor (ProTeste) analisou os custos de 108 cartões de crédito de 18 instituições e descobriu que, escolhendo um cartão adequado a seu perfil, o consumidor pode economizar até R$ 250 em anuidade. Quanto aos juros, a associação comprovou que todas as instituições cobram taxas abusivas. O resultado desta análise está na edição de dezembro da revista Pro Teste.
Em média, as anuidades dos cartões ficam em torno de R$ 70, mas quem optar por um cartão internacional pode pagar até 60% mais. Por isso, a associação só recomenda o cartão internacional para quem vai usá-lo fora do País, em viagens ou mesmo compras em sites estrangeiros.
A pesquisa não se restringiu ao custo da anuidade. Quando analisou os juros, a associação concluiu que a ruína do consumidor está em usar o crédito rotativo. Essa categoria de juros pode praticar valores de até 14,99% ao mês (434,47% ao ano). Considerando uma taxa média de juros de 10,21% (221,11% ao ano), quem contrair uma dívida de R$ 1 mil e só pagar R$ 200 a cada fatura, mês a mês, mesmo sem novos gastos, levará mais de sete meses para pagar um total de R$ 1.471,85.
Os contratos também estiveram em foco. Algumas cláusulas foram consideradas abusivas pela Pro Teste, como por exemplo, as que responsabilizam o cliente por qualquer despesa feita antes da comunicação de um roubo à administradora.
As instituições analisadas são American Express, Banco do Brasil, Banco Real, BankBoston, Banrisul, Bradesco, Caixa Econômica Federal, Citibank, Credicard, Fininvest, HSBC, IbiCard, Itaú, Nossa Caixa, Panamericano, Safra, Santander/Banespa e Unibanco.
Audiência - A Pro Teste quer que o Banco Central (BC) controle e fiscalize as administradoras de cartão de crédito, fazendo com que elas implementem um sistema eficiente de atendimento aos usuários. A proposta foi apresentada durante audiência pública realizada esta semana na Câmara Federal, em Brasília. A audiência reuniu representantes da Pro Teste, Associação Nacional dos Usuários de Cartões de Crédito, Departamento de Proteção e Defesa do Consumidor do Ministério da Justiça, e do Departamento de Normas e Organização do Sistema Financeiro do Banco Central. A Associação Brasileira das Administradoras de Cartões apesar de convocada não atendeu ao convite para o debate.

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