Um cronograma mais rápido e o ágio que vem sendo pago nas privatizações do setor elétrico e nas concessões da banda B fizeram o governo aumentar em 120% sua estimativa para as receitas com o programa de desestatização no biênio 1997/98. No início do ano o governo esperava obter R$ 25 bilhões. Essa projeção foi sendo continuamente revisada pelo governo e a estimativa mais recente, feita ontem pelo ministro do Planejamento, Antônio Kandir, prevê R$ 22 bilhões apenas em 1997 e mais R$ 34 bilhões em 1998, somando R$ 56 bilhões no biênio.
‘‘As perspectivas são sempre melhores e resultados como a venda das duas distribuidoras gaúchas animam ainda mais’’, disse Kandir, após participar de um seminário sobre privatização em infra-estrutura em São Paulo. Estas previsões, ponderou o ministro, são apenas referentes ao dinheiro que efetivamente deve entrar nos cofres públicos em cada um dos anos.
Este total de R$ 56 bilhões será completado por mais R$ 24 bilhões no ano de 1999 e pode receber um acréscimo de R$ 10,3 bilhões referentes a ações do Banco do Brasil e da Petrobrás. Nos dois casos, o Conselho Nacional de Desestatização (CND) já autorizou, anteontem, o governo a vender a parte das ações que excede os 50% mais um necessários para que o poder público tenha o controle das duas empresas.
Para o Banco do Brasil o valor equivale a R$ 3,7 bilhões e para a Petrobrás, R$ 6,6 bilhões. ‘‘Estes valores ainda não foram incorporados nas nossas estimativas’’, observou o ministro.
Kandir disse ainda que o governo quer obter o máximo de recursos possíveis com a venda das estatais e por isso alterou o modelo de privatização para as companhias de energia elétrica. Entre os setores que estão sendo abertos à iniciativa privada, uma nova área de destaque para a atuação da iniciativa privada é a de saneamento básico, disse Kandir. Ele salientou que a aprovação, pelo conselho curador do FGTS, de uma linha de crédito para a iniciativa privada utilizar recursos do fundo para a realização de obras nesse setor é muito importante, mas ainda insuficiente.
Segundo Kandir, existem hoje 15,4 milhões de pessoas sem acesso a água tratada no País e 56 milhões de pessoas sem nenhum tipo de coleta de esgoto. ‘‘Até 2010, precisamos investir R$ 42 bilhões’’, afirmou.

mockup