Privatização renderá US$ 10 bi em 99
PUBLICAÇÃO
domingo, 11 de outubro de 1998
Agência Estado 
O governo brasileiro poderá levantar até US$ 10 bilhões com as privatizações em 1999, antecipando uma boa parte dessa captação ainda este ano, com o lançamento de bônus. O volume da captação vai depender das necessidades do fluxo de caixa do governo. Ao todo, os investimentos diretos deverão totalizar US$ 18 bilhões, entre os quais estão os US$ 10 bilhões da privatização.
Esse é um dos objetivos do governo, segundo o ministro das Comunicações, Luiz Carlos Mendonça de Barros, cuja missão atualmente na Europa é obter a antecipação das parcelas de privatização da Telebrás, ajudando o País a fechar suas contas até o fim do ano.
Apontado como provável ministro da Produção - o novo ministério que seria criado no segundo mandato do presidente Fernando Henrique Cardoso -, o ministro Luiz Mendonça de Barros explicou que a idéia não é criar um superministério. A pretensão do presidente da República é mostrar que existe um espaço de articulação muito importante entre o Estado e o setor privado. O governo tem necessidade de alguém que cuide da articulação fora do circuito moderno da economia.
Mais uma vez, o ministro aproveitou a ocasião para distanciar-se de certos setores políticos mais conservadores e ultraliberais que apóiam o governo, dizendo que a abertura brasileira foi ideológica. Ele não é contra o prosseguimento da política de globalização, mesmo havendo correções determinadas pela crise: Ninguém está pretendendo questionar a economia global que provocou a morte da distância, mas é preciso fazer isso de forma consciente.
O Brasil não viu a abertura da economia como um processo. O Brasil não vai voltar atrás, mas daqui para frente, tem de fazer correções. No segundo mandato, o presidente precisa manter a consistência da estabilidade alcançada, razão pela qual o Ministério da Produção viria para criar uma variante microeconômica ao lado da questão macroeconômica.
Nessa sua viagem, os esforços desenvolvem-se em diversas frentes. Além de uma resposta positiva da Telefónica espanhola - para a antecipação das parcelas da privatização - e outra satisfatória dos italianos, que prometeram estudar o assunto ainda esta semana, o ministro Mendonça de Barros volta hoje ao Brasil satisfeito diante do interesse manifestado pelo grupo Tele-Italia em adquirir a participação do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES), 25%, na TeleNorte-Leste (Telemar).
Como o lance oferecido pela empresa foi de US$ 3,3 bilhões, acredita-se que o valor da operação, via leilão, poderá ser, no mínimo, de US$ 850 milhões. O ministro, otimista, espera ainda um ágio sobre esse valor, podendo a operação alcançar US$ 1 bilhão. Essa venda deverá ocorrer ainda antes do fim do ano.
O valor obtido com a antecipação das parcelas italianas deverá ser inferior ao das espanholas, mas poderá atingir a soma considerável de US$ 500 milhões. Na França, além de visitar as instalações do grupo Alcatel, o ministro tentou convencer o presidente da empresa, Serge Tchruk, a ampliar seus investimentos no Brasil. O grupo, que vende equipamento de telefonia, atravessou um momento de dificuldades no País, desde que se começou a falar em privatização da Telebrás, pois o governo federal e os Estados deixaram de investir, aguardando o fim do processo.
O ministro criticou algumas empresas e seus dirigentes, que oferecem hoje seus equipamentos às empresas recentemente privatizadas a um custo 40% a 50% inferior ao do apresentado anteriormente à Telebrás, antes da privatização. Ele cita o antigo presidente da Telebrás estatal, Fernando Xavier, hoje presidente da Telesp, que tem recebido os mesmos homens, representando as mesmas empresas e oferecendo o mesmo tipo de material por um preço muito inferior. Na verdade, acrescentou Mendonça de Barros, as empresas lotearam a Telebrás e não havia mais competição.


