O leilão de privatização do Banestado entra em sua reta final e a partir de agora começa a se estreitar o prazo para que os bancos interessados apresentem suas propostas. A venda está marcada para o dia 17 de outubro, na Bolsa de Valores do Paraná, que tem sede em Curitiba. Nesse dia, os cinco bancos credenciados ABN-Amro, Itaú, Unibanco, Bradesco e Santander entregarão um envelope fechado que conterá a oferta de quanto estão dispostos a pagar para ficar com o banco paranaense. Por enquanto, até o dia 13 de outubro, os representantes dos bancos estão envolvidos com o data room (sala de dados), onde obtém informações sigilosas do banco.
O lance mínimo estipulado pelos dois bancos que fizeram a avaliação do Banestado, Fator e Credit de France, e aceito pelo governo do Estado foi de R$ 434 milhões, ou seja, R$ 20 milhões a menos do que seu patrimônio líquido que, pelo balanço divulgado nesta semana, fechou o semestre em R$ 454 milhões. O valor mínimo do Banestado também é 13 vezes inferior à quantidade de dinheiro que o Banco Central injetou no Banestado para fazer o saneamento das contas, R$ 5,8 bilhões.
Com as propostas entregues ao responsável pela condução do leilão de privatização, caberá a ele checar qual tem a melhor oferta. Se houver um empate ou se houver uma proposta igual ou superior a 80% do valor do maior lance, o processo passa o leilão a viva-voz. Os lances a viva voz serão feitos pelas sociedades corretoras representantes de cada um dos participantes.
O presidente do Banestado, Reinhold Stephanes, arriscou esta semana dar um palpite sobre o preço que o banco será vendido. ‘‘Há grandes chances de o ágio ficar entre 50% e 80%’’, afirmou.
A venda das ações do Banestado se dará em duas etapas. Depois do leilão, será feita a venda da parcela que foi garantida em lei para os funcionários. Eles têm direito a 9,44% do capital social. Esta fatia está avaliada em R$ 20,53 milhões.
A quantidade de ações que serão leiloadas para os bancos credenciados varia de 84,98% e 90,56% de seu capital social. A diferença dependerá da adesão ou não dos acionistas minoritários.
Há uma série de regras que terão de ser respeitadas pelos bancos interessados na compra. Eles terão de manter por 18 meses os benefícios oferecidos pelo Fundo de Pensão dos Funcionários do Banestado (Funbep), manter o mesmo número de funcionários, deixar a sede administrativa do banco em comodato para o governo do Estado e ficar administrando as contas do governo do Estado por cinco anos. O novo dono terá ainda que manter a sede social do Banestado no Paraná até 2005.
Caso ocorra o leilão do banco no dia 17 de outubro, o processo será comunicado à Câmara de Liquidação e Custódia, até o dia 20. No dia 7 de dezembro se encerra o processo de venda. Há dois fatores que podem atrasar e comprometer o cronograma: possíveis liminares pedidas pelo Sindidato dos Bancários e uma mudança no posicionamento do governo, influenciado pela pressão do Banespa.

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