O programa de privatização de estatais federais e estaduais alcançará em 1999 a arrecadação acumulada de R$ 100 bilhões. O volume de recursos, segundo o vice-presidente do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES), José Pio Borges, será um dos maiores já movimentados em operações do tipo no mundo, comparável ao da Alemanha.
Para o ano que vem, metade dos R$ 20 bilhões que o governo espera arrecadar com os leilões virá de investidores estrangeiros, pelas estimativas do BNDES. Desde a venda da Usiminas, que deu início ao programa de desestatização do governo, em 1991, já foram incorporados ao caixa do Tesouro cerca de R$ 85 bilhões. ‘‘Os três primeiros anos tiveram uma aceleração crescente, que depois arrefeceu no governo Itamar, quando nenhuma nova companhia foi incluída ao programa’’, disse Borges, em palestra a empresários.
No primeiro ano da gestão Fernando Henrique Cardoso, o ritmo foi classificado por ele como fraco, com R$ 1,6 bilhões, que cresceram no ano seguinte, alcançando mais de R$ 6 bilhões; em 1997 foram R$ 27,7 bilhões e este ano está em R$ 36,9 bilhões. Até o fim do ano, com as vendas da Fepasa, Ceal e das empresas-espelho do setor de telecomunicações, a cifra chegará a R$ 40 bilhões, na avaliação do BNDES.
O setor de infra-estrutura já representa 70% das privatizações que tiveram como principais estrelas da primeira fase os setores de siderurgia e mineração. A participação estrangeira também cresceu aceleradamente, passando dos 4,2% registrados em 1995 para 42% este ano.

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