Arquivo FolhaQuestão de lógicaO presidente Fernando Henrique: ‘‘Mais vale uma boa privatização do que o rígido respeito ao calendário’’

BRASÍLIA - O presidente Fernando Henrique Cardoso admitiu ontem que o leilão de privatização da Companhia Vale do Rio Doce poderá ser adiado em alguns dias ou semanas, ‘‘em função de fatos novos que possam surgir’’. ‘‘Mais vale uma boa privatização do que o rígido respeito ao caledário’’, disse o presidente, segundo o seu porta-voz, embaixador Sérgio Amaral.
Fernando Henrique assegurou ainda que qualquer mudança em data não tem nenhuma relação com o calendário político, referindo-se ao possível adiamento do leilão como um acerto para facilitar a aprovação da reeleição. O presidente do Congresso, senador José Sarney, que é contra a privatização da companhia, ao ser informado sobre a alteração do calendário de março para abril ressaltou que o seu interesse não é o de adiar, mas sim de suspender a venda da Vale. O embaixador Sérgio Amaral ressalvou, entretanto, que o presidente não tem conhecimento do adiamento da privatização da Vale.
O governo adiou do próximo dia 29 de janeiro para 6 de fevereiro a reunião do Conselho Nacional de Desestatização (CND) que irá examinar o edital de privatização da Vale do Rio Doce. Segundo o diretor de privatização do BNDES, Pio Borges, a decisão foi tomada em função da necessidade de se obter dados mais precisos sobre o potencial da mina de ouro e cobre Igarapé-Bahia, no Pará, descoberta pela Vale. O Ministério do Planejamento informou que o leilão da Vale deverá ocorrer em abril.

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