Privatização da Copel divide opiniões
PUBLICAÇÃO
sábado, 29 de maio de 1999
Carmem Murara 
A Companhia Paranaense de Energia (Copel) está colocada hoje entre as mais lucrativas e eficientes empresas públicas nos setores de geração, transmissão e distribuição em todo o País. Mas apesar de ter dado certo como companhia controlada pelo governo do Estado, seus dias de empresa pública estão contados. A Copel passará para a iniciativa privada até o final do ano 2000. Governo e diretores da estatal justificam a privatização como a única saída para a empresa não cair no sucateamento a médio prazo. A reação contrária a venda tem se concentrado no setor político adversário ao governo e nas entidades sindicais dos trabalhadores da empresa.
A pressão para privatizar as companhias de energia vem do governo federal, que em 1995 conseguiu aprovar a Lei de Desregulamentação do Setor de Energia. Desde então, os Estados começaram a privatizar suas empresas deficitárias. O pioneiro foi o Rio de Janeiro, que se desfez da endividada Light para um grupo de franceses e norte-americanos.
Com quase 2,7 milhões de consumidores no Estado, a Copel é quase uma ilha no meio de 15 Estados que já entregaram suas companhias energéticas para a iniciativa privada. Cerca de 80% do Rio Grande do Sul, 60% de São Paulo, Mato Grosso do Sul, Mato Grosso e Rio de Janeiro não controlam mais suas empresas. A desregulamentação no setor elétrico trouxe a competição entre as empresas e as estatais estão amarradas pela Lei das Licitações e pelas restrições impostas pela Aneel (Agência Nacional de Energia Elétrica), afirma o presidente da Copel, Ingo Hubert. Ele afirma que a Copel deixaria de ser superavitária para se tornar deficitária em pouco espaço de tempo, caso insista na manutenção da condição estatal.
Para encaminhar o processo de privatização, foi formado, há três semanas, o Conselho de Desestatização, do qual fazem parte os secretário Miguel Salomão (Planejamento), Giovani Gionédis (Fazenda), Alex Beltrão (Assuntos Estratégicos) e pelo ex-ministro Karlos Rischibieter, que entrou no lugar do ex-governador Ney Braga, que recusou o cargo. O grupo, que não tem remuneração, foi escolhido pelo governador Jaime Lerner, após a assinatura de um decreto os nomeando.
O conselho prepara um cronograma de atuação que será apresentado nas próximas semanas ao governador Jaime Lerner. Uma das primeira etapas do processo será contratar uma empresa que fará a modelagem da privatização, assim como ocorre no Banestado. Somente esta empresa vai poder dar detalhes sobre preço e método de venda.
O secretário da Fazenda, Giovani Gionédis, diz que não há pressa para vender a Copel. Podemos levar 12 meses para fazer a modelagem e venda da empresa, diz o secretário.
Hoje, o governo possui 58,6% das ações ordinárias (com direito a voto) da empresa e 31,1% do capital total, que inclui as ações preferenciais. O patrimônio líquido é de R$ 4,3 bilhões, sendo que a rentabilidade equivale a 9% do patrimônio. O lucro da Copel em 98 foi de R$ 403,6 milhões, segundo último balanço da empresa.
Mesmo com estes números, o governo ainda não definiu qual é a melhor forma de se vender a empresa conseguindo o melhor resultado possível. O presidente da Copel diz que há uma corrente que defende a privatização de todos os setores da Copel ao mesmo tempo, mas há grupos que avaliam ser mais vantajoso vender a empresa separadamente nos setores de geração, transmissão e distribuição de energia.
Ainda não está definida a maneira como vai ser vendida a participação acionária que a Copel tem em outras empresas. Ela detém ações da Sercomtel (companhia telefônica de Londrina), da Compagás, da Sanepar e de hidrelétricas construídas em parceria com a iniciativa privada em Santa Catarina e Rio Grande do Sul. A Copel detém 51% do capital da Compagás, 45% da Sercomtel e participações na usina de Machadinho (SC), Usina Dona Francisca (RS) e Campos Novos (SC).


