Privatização da Copel divide lideranças
PUBLICAÇÃO
domingo, 11 de fevereiro de 2001
Carmem Murara De Curitiba 
Junto com Furnas e com a Cesp Paraná, a privatização da Companhia Paranaense de Energia (Copel) representará um dos principais negócios do setor energético nacional, previsto para ocorrer este ano. Ainda não há data para a venda, mas o governo do Estado tem anunciado que espera o leilão em outubro. A venda significa para o Estado capitalizar o fundo de pensão dos servidores estaduais, Paraná Previdência. Pela lei estadual, até 70% do dinheiro tem de ser aplicado no fundo.
Com o leilão, o Estado se desfaz de uma empresa considerada modelo no País. Em seus 46 anos de existência, a Copel acumulou patrimônio líquido de quase R$ 5 bilhões e teve sucessivos lucros registrados a cada ano. O último balanço publicado apontou lucro de R$ 288,7 milhões de janeiro a setembro de 2000. Só em geração de energia, a companhia detém 5% da participação nacional.
O governo é o acionista majoritário da Copel com 31,1% do capital social e 58,6% das ações ordinárias. A Copel tem ainda como sócios o BNDESPar (Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social Participações) com 24,4%, a Eletrobrás com 0,6% e em custódia na Bolsa 43,4%. Há outros acionistas não nominados com 0,5%. O BNDESPar já anunciou que venderá também suas ações no leilão.
A privatização, no entanto, divide opiniões no Estado. Enquanto o governo defende a venda como única alternativa para enfrentar a nova política para o setor energético, que passa por privatização em todo o mundo, entidades de classe, ex-presidentes da Copel e políticos de oposição levantam a bandeira contrária. Entre eles estão os senadores do Paraná, Osmar Dias, Roberto Requião e Alvaro Dias, os deputados do PMDB, Ordem dos Advogados do Brasil (OAB-PR), Conselho Regional de Engenharia e Arquitetura e Sindicato dos Engenheiros.
Veja as justificativas de quem defende e de quem repudia a venda.


