A polícia filipina começou a prender dirigentes da oposição e o governo declarou ‘‘estado de rebelião’’ no país, ontem, terça-feira depois que violentos conflitos entre policiais e partidários do afastado presidente Joseph Estrada deixaram pelo menos quatro mortos e mais de 100 feridos.
‘‘Esta não é apenas uma demonstração. É uma rebelião’’, disse o porta-voz governamental Rigoberto Tigalo. Após a declaração de estado de rebelião, restrita a Manila, feita pela atual presidente, Glória Macapagal Arroyo, ela tem permissão para convocar os militares a fim de enfrentar os protestos e deter pessoas durante três dias sem acusações – o que começou a fazer em seguida, ao deter os principais líderes políticos que apóiam Estrada.
O porta-voz militar, brigadeiro Edilberto Adan, após informar que ontem à tarde as forças de segurança dispersaram os manifestantes partidários de Estrada, disse que os chefes militares estão discutindo a possibilidade de impor um toque de recolher.
‘‘Posso dizer a todos que o governo está no controle da situação’’, disse Arroyo em uma de suas várias aparições pela televisão para tranquilizar o público. ‘‘Os inimigos estão em fuga.’’ ‘‘A polícia e as Forças Armadas estão unidas em apoio ao governo e eu lhes agradeço por seus feitos heróicos de hoje’’, acrescentou. ‘‘Não temos de nos deixar dominar pelo pânico, nem tampouco exibir excessiva confiança.’’
Milhares de partidários de Estrada, armados de paus e pedras, enfrentaram a polícia em torno do palácio presidencial. Os conflitos diminuíram ontem à tarde quando muitos manifestantes recuaram depois de incendiarem vários veículos, entre eles um carro da polícia e um dos bombeiros.
O secretário da Justiça, Hernando Pérez, ordenou ontem a prisão de pelo menos 11 figuras-chave da oposição, incluindo os senadores Gringo Honasan e Juan Ponce Enrile e o ex-chefe da Polícia Nacional, Pánfilo Lácson.

mockup