Economista da Federação da Indústria do Estado do Paraná (Fiep), Roberto Zurcher acredita que, se assumir o governo, Michel Temer deverá ter o ajuste fiscal como prioridade. Mas, o equilíbrio das contas públicas deve ser buscado somente pelo lado do corte de gastos. "Nós já temos uma carga tributária muito alta e não é de se esperar que aumentem mais impostos", afirma. Ele ressalva que é "complicado" cortar gastos num momento de depressão econômica, com crescimento do desemprego, situação que exige aumento de políticas sociais. "Mas não tem jeito. Sem um corte de despesas não conseguiremos sair da crise."
O consultor econômico da Associação Comercial e Industrial de Londrina (Acil), Marcos Rambalducci, acha difícil que Temer consiga fazer grandes mudanças em seu mandato. "Precisamos de reformas estruturais severas, inclusive na Previdência. E não sei se ele terá apoio para fazê-las", afirma. De qualquer forma, o novo governo, na opinião do economista, melhorará as expectativas dos empresários, que voltarão a pensar em investir.
Ele diz que Temer deverá sinalizar de imediato que vai buscar o superavit primário – economia do governo para pagar os juros da dívida pública. "Também ajuda a melhorar as expectativas a pessoa que ele indicar para a Fazenda e o Banco Central. Se for alguém que o mercado confie terá um impacto importante", declara.
Para o consultor da Acil, as reformas estruturais ficarão para o próximo presidente a ser eleito em 2018. "Se (Temer) conseguir melhorar a confiança do empresariado já estará bom", considera. Ele explica que a indústria nacional está com capacidade produtiva ociosa e que, havendo confiança, aumentará a produção sem a necessidade de novos investimentos. Em relação ao ajuste fiscal, Rambalducci acha difícil fazê-lo somente com cortes de despesas. "Neste momento não enxergo outra maneria se não recriar a CPMF", ressalta. (N.B.)

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