O turbilhão nos mercados financeiros derrubou os títulos da dívida externa do País negociados no mercado internacional. O C-bond, principal deles, caiu 3,4% em relação ao fechamento da sexta, e no final do dia era negociado a 58,6% do seu valor.
Um deságio maior significa, grosso modo, confiança menor do investidor na capacidade do governo brasileiro para honrar o pagamento do papel. Na sexta, o deságio era menor e o papel encerrou o dia negociado a 60,7%. O título já abriu em queda, sentindo os efeitos da forte saída de dólares ocorrida na sexta, que dava sinais de que iria continuar.
Além disso, os mercados ao redor do mundo, a partir da Ásia, tiveram um dia fraco. Ainda no lado externo, as complicações no processo que investiga o presidente dos EUA, Bill Clinton, também afetaram o papel.
Enquanto no lado interno, os investidores começam a se dar conta de que as medidas do pacote fiscal só voltarão ao Congresso em janeiro, o que deve comprometer o cumprimento das metas fiscais.
Desde o início de outubro o C-bond não atingia preço tão baixo. Na ocasião, o papel começava a recuperar-se do tombo sofrido em setembro, quando o Brasil sentiu as consequências da moratória russa, perdendo bilhões de dólares de reservas e tendo todos os ativos financeiros depreciados.
A rentabilidade do C-bond, no entanto, pouco se alterou ontem. O papel continuou pagando cerca de 12 pontos percentuais ao ano acima do juro do título do Tesouro dos EUA de prazo semelhante (cerca de 5% ao ano). Esse ‘‘spread’’ já é considerado muito alto e embute risco elevado. Desde a moratória russa, o papel tem pago entre 9 e 12 pontos acima do título dos EUA. Antes da crise, o ‘‘spread’’ era de 4 pontos.

mockup