São Paulo A elevação da taxa básica de juros para 26,5% ao ano e o aumento do compulsório sobre os depósitos à vista devem praticamente paralisar as vendas a prazo do comércio neste primeiro semestre. A avaliação é de Marcel Solimeo, diretor do Instituto de Economia Gastão Vidigal da Associação Comercial de São Paulo (ACSP). Para ele, o primeiro semestre está ''perdido''.
O economista diz que o comércio está pressionado pelas baixas vendas, aumento do custo de financiamento e alta das tarifas de serviços públicos. Ele afirma que a retirada de R$ 8 bilhões de circulação na economia com o compulsório provocará ainda maior retração no crediário, alta dos juros de financiamentos e menor procura por produtos que dependem de vendas a prazo (como bens duráveis: geladeiras, carros entre outros).
A menor expectativa de faturamento reduz a possibilidade de criação de empregos na economia, afirma. Solimeo considera que a utilização do aumento do compulsório de 45% para 60% dos depósitos à vista é uma medida que tem vantagens para o Tesouro Nacional. Se o governo ampliasse a taxa Selic em dois pontos porcentuais, por exemplo, ampliaria as despesas públicas com juros. O aumento do depósito compulsório para os bancos cria uma demanda obrigatória para os títulos públicos e o governo financia sua dívida com menor custo, declara.
Para os comerciantes, o efeito das medidas é ''menos dinheiro em circulação e maior custo de capital de giro'', afirma. Perguntado se o compulsório terá efeito sobre as taxas de câmbio - reduzindo a pressão inflacionária sobre produtos importados -, Solimeo diz que só haverá uma queda nas cotações do dólar se houver especulação motivada ''por muito dinheiro nas tesourarias dos bancos''.
Caso a elevada taxa do dólar esteja mais vinculada ao cenário instável externo e escassez de entrada da moeda estrangeira no País, então o efeito do compulsório sobre a cotação do dólar será mínimo, diz Solimeo.

mockup