O novo ano acena com dois cenários distintos para o mercado financeiro: o primeiro semestre mais calmo e otimista e o segundo, mais instável e estressado, na avaliação do responsável pela Divisão Private Banking do Sudameris, Eduardo Santalúcia. O otimismo alimentado pelo descolamento do País em relação à crise argentina deverá ficar reforçado, na virada do ano, pela divulgação de bons dados da economia.
A inflação declinante combinada com a neutralidade dos mercados diante da crise argentina deve abrir espaço para a queda do juro básico em janeiro, prevê Santalúcia. Uma perspectiva que projeta também valorização da bolsa e bom comportamento do dólar até meados do próximo ano. ''As ações devem render pelo menos o triplo do juro do CDI.''
O cenário de calmaria do primeiro semestre pode ser substituído pelo de certa turbulência no segundo semestre, pelo acirramento da disputa eleitoral. ''É preciso ver ainda a recuperação da economia dos EUA ao corte dos juros neste ano.''
O cenário aponta para a diversificação, diz Santalúcia. Uma carteira bem balanceada para um investidor conservador contempla a aplicação de 40% dos recursos em fundo DI, 30% em um fundo prefixado, 15% do dinheiro de perfil longo em fundo de ações e 15% em cambial.
O executivo do Sudameris prevê uma cotação do dólar entre R$ 2,55 e R$ 2,60, o que daria uma valorização de 9,7% a 11,8% em relação ao preço de fechamento deste ano. A essa variação se somaria, na remuneração do fundo cambial, um juro de 6% a 6,5% embutido nos títulos cambiais que compõem a carteira. Isso daria, numa projeção moderada, uma rentabilidade total previsível entre 16,8% e 19,1%, superior aos juros de 16,5% a 17% estimados para o CDI.

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