Começaram ontem os leilões de venda de excedentes de energia elétrica pelos consumidores da categoria tarifária A (demanda superior a 2,5 MW) na Bolsa de Valores de São Paulo (Bovespa). O leilão terminou com a venda de 100 megawatts-hora (MWh) ao preço de R$ 595/Mwh.
‘‘O desempenho superou as nossas expectativas em razão do pouco tempo que tivemos para desenvolver o leilão’’, comentou a gerente de Atendimento aos Agentes da Administradora de Serviços do Mercado Atacadista de Energia Elétrica (Asmae), Patrícia Arce.
Segundo ela, Asmae, Bovespa e a Câmara Brasileira de Liquidação e Custódia (CBLC) tiveram menos de 20 dias para desenvolver o modelo de negociação desde que a Câmara de Gestão da Crise de Energia Elétrica (GCE) determinou que os consumidores poderiam comercializar a energia que não consumiram abaixo da meta imposta pelo plano de racionamento.
Nesse primeiro pregão, o mercado mostrou sua demanda por eletricidade no período de racionamento: as ofertas de compra totalizavam 10,1 mil MWh, enquanto as vendas eram de pouco mais de 1,8 mil MWh.
A discrepância maior se mostrou nos preços: dos 10,1 mil MWh solicitados, os compradores ofereceram valores de R$ 212/MWh (5 mil MWh); R$ 210 MWh (5 mil MWh) e R$ 595/MWh (100 MWh). Na ponta de venda, as ofertas foram de R$ 595/MWh (1 mil MWh), R$ 650/MWh (500 MWh) e R$ 660/MWh (300 MWh).
O ambiente de comercialização, via Internet, poderia contar com a presença de 19 empresas já cadastradas, sendo 12 agentes do Mercado Atacadista de Energia Elétrica (MAE) e outros sete consumidores. ‘‘Pelo menos 43 empresas já solicitaram pedido de cadastramento para ingressar no mercado’’, informou Patrícia.
De acordo com Gilberto Mifano, superintendente da Bovespa, o prazo para cadastro da empresa, desde o pedido efetuado na concessionária, passando pela análise e aprovação da Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel), o registro na Asmae até a obtenção da senha para operar nos leilões é inferior a 48 horas.
Para comercializar excedentes energéticos no ambiente eletrônico da Bovespa, os interessados têm de solicitar da distribuidora que os atende um certificado de venda desses excedentes. Após se cadastrar na concessionária, assinar o aditivo contratual e receber o certificado de venda de energia, o consumidor ingressa com o registro na Aneel. Após a autorização do órgão regulador, a empresa se cadastra na Bovespa, por meio do site www.asmae.com.br, na área de leilões do MAE.
Depois do cadastramento no ambiente virtual e a recepção de uma senha de operação, a empresa pode efetuar as ofertas de venda de energia. O montante mínimo de oferta de venda é de 50 MWh. Para comprar energia nos leilões, a empresa não necessita possuir certificados, uma vez que esses serão adquiridos de outras empresas que participam dos leilões. A oferta mínima para compra é de 10 MWh.

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