Primeiro inqúerito é de 99
O setor de revenda de combustíveis em Londrina tem sido alvo de ações judiciais questionando sua atuação há vários anos. O motivo principal da intervenção policial é sempre o preço do álcool e gasolina, igual ou muito semelhante entre os os estabelecimentos do ramo. Em dezembro de 99, o então promotor de defesa do consumidor Hélio Cardoso requereu abertura de inquérito policial para apurar aumentos da gasolina praticados pelos postos. Na época, 41 postos foram investigados.
Atualmente tramitam na Justiça estadual, além da ação criminal que resultou na decretação de prisão preventiva de sete donos e gerentes de postos, uma ação civil pública na 4 Vara Cível por formação de cartel. No caso de ação cível, não há pena de prisão para os envolvidos. Eles podem ser submetidos a multas e interdições nos estabelecimentos.
A Justiça Estadual apura o caso porque estaria permeado por denúncias de crime de ameaça e formação de quadrilha. Alguns atentados a postos ocorreram nos últimos meses. Entre as vítimas estão os proprietários do Posto de Combustíveis Transamérica (Avenida Leste-Oeste), que tiveram um carro alvejado, em outubro. Um homem armado invadiu o posto, por volta das 8h30, e disparou cinco tiros contra o carro Renault Mégene, que estava estacionado no pátio, fugindo em seguida.
Também em outubro, três homens encapuzados atiraram contra a camioneta do empresário Valmor Menegatti Júnior, proprietário de posto em Marialva; e o Posto 15, pertencente a Luiz Jorge Bolognesi, localizado na esquina da rua João Pessoa com a av. Leste-Oeste (região central) recebeu três disparos de arma de fogo. Em maio deste ano, o dono do posto Carajás, Emílio Santaella, teve a casa e três carros alvejados por tiros.
Outras duas ações correm na esfera federal, a pedido do Procurador Regional da República, Mário Ferreira Leite. O teor das ações das esferas estadual e federal não diferenciam muito. Uma ação civil pública por cartel e dumping (preço abaixo do custo para quebrar a concorrência) tramita na Vara Cível da Justiça Federal contra todos os revendedores (105 postos) e quatro distribuidoras (Esso, Shell, Ipiranga e BR). Constam ainda como réus a União Federal (Secretaria de Direito Econômico) e o Conselho Administrativo de Defesa Econômica (Cade).
Tem também um inquérito policial que tramita na Polícia Federal, presidido pelo delegado Nilson de Souza, que, além da relação de consumo, apura adulteração de combustível e eventual corrupção de fiscais da Agência Nacional de Petróleo. O inquérito foi instaurado por solicitação do procurador regional da República, Mário Ferreira Leite, com pedido de indiciamento de seis donos de postos de combustíveis: Ariovaldo Ferraz de Arruda (Posto Esperança), Maxuell Pavesi (posto Star Petro e outros seis estabelecimentos), Luiz Jorge Bolognesi (Rede de Posto 15), Hamilton Cobo Pires (Posto Santo Expedito), Sérgio Góes de Oliveira (Exposição, Meninão e outros quatro postos em Londrina e região), e Valter Sasso (Posto Centro Cívico).
(Benê Bianchi).





