Entre os 3,4 milhões de jovens desempregados brasileiros, 75% são mulheres, afro-descendentes ou portadores de necessidades especiais. É essa parcela da população que está no foco do programa Primeiro Emprego, lançado pelo governo federal no dia 30 de junho. O programa começa a funcionar efetivamente a partir do final de setembro, informou Remígio Todeschini, secretário de políticas públicas de emprego do Ministério do Trabalho e Emprego (MTE).
Ele esteve ontem, em Londrina, falando sobre as políticas públicas de emprego do governo federal. Todeschini veio à cidade a convite da Associação Brasileira de Treinamento e Desenvolvimento (ABTD) e da Federação das Indústrias do Estado do Paraná (Fiep).
Entre a população brasileira, com idade entre 16 e 24 anos, 47% estão desempregados ou precariamente colocados. O Primeiro Emprego, conforme explicou o secretário, tem o objetivo de inserir essa parcela no mercado por meio da qualificação profissional.
A partir do mês que vem, empresas das principais regiões metropolitanas do País que contratarem jovens nessa faixa etária, provenientes de famílias carentes, receberão um incentivo do governo. Quem tem faturamento até R$ 1,2 milhão por ano receberá R$ 200,00 mensais, por seis meses, para cada contratação. Empresas com faturamento maior receberão R$ 100,00. Até o final de 2004, o governo vai gastar R$ 424 milhões para atender 260 mil jovens.
Ao aderir aos benefícios, a empresa assume o compromisso de manter o jovem no emprego por um ano, além de não poder demitir funcionários para dar a vaga ao beneficiado pelo programa. Os primeiros jovens beneficiados serão os que se cadastraram no Sistema Nacional de Emprego (Sine) até o dia 30 de junho.
Criar postos de trabalho, porém, não é o único objetivo do Primeiro Emprego. O MTE também quer estimular o empreendedorismo, através do financiamento de micro e pequenas empresas ou mesmo cooperativas de produção. ''Há linhas de crédito disponíveis entre R$ 2 mil e R$ 50 mil'', informou, acrescentando que os finaciamentos serão operacionalizados pelo Sine.
Outra preocupação é a qualificação profissional. ''É preciso preparar os jovens para o primeiro emprego'', disse. Segundo Todeschini, os recursos do Fundo de Amparo ao Trabalhador (FAT) para essa finalidade, até o final do ano que vem, é de R$ 150 milhões. ''Serão 500 mil jovens atendidos'', revelou.

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