O Ministério da Agricultura do Japão anunciou ontem, num comunicado oficial, que uma vaca leiteira de cinco anos, em Chiba, Leste de Tóquio, apresentou sintomas suspeitos da doença da Vaca Louca e que os testes da Encefalopatia Espongiforme Bovina (ESB) realizados no animal depois de abatido deram positivo. É o primeiro registro deste tipo num país que se acreditava totalmente isolado da enfermidade.

''Foi o primeiro caso no qual os testes deram positivos (no Japão). Devido a este resultado, nós queremos pedir (a uma instituição internacional) uma decisão final'', afirmou durante uma coletiva de imprensa Takumi Nagamura, responsável pelo departamento animal do Ministério da Agricultura.

Nagamura garantiu que não há nenhum risco no consumo do leite. ''Ficou provado que a doença não é transmitida através do leite'', disse. Segundo o comunicado do ministério,''no dia 6 de agosto, uma vaca leiteira foi abatida. Ele tinha dificuldade para se manter em pé''.

''Nós examinamos o cérebro no Instituto Nacional de Pesquisa da Saúde Animal e concluímos no dia 15 que os testes eram negativos. Entretanto, mais tarde, descobrimos traços no tecido do cérebro'', explicou o ministério.

''A mostra foi apresentada de novo ao Instituto, que confirmou a presença do príon. Depois nós confirmamos os sinais positivos (da BSE) no dia 10 setembro com outro teste.''

O Ministério da Agricultura designou uma comissão especial para resolver esta questão.

''Disseram-me que se for confirmado será o primeiro caso no Japão'', afirmou à AFP Takahiro Fuse, autoridade da prefeitura de Chiba.

O ministério ordenou que o fazendeiro colocasse o restante do seu rebanho de quarentena e vai fazer uma investigação para saber de onde o animal veio e o tipo de alimentação que utilizava, para descobrir a fonte de contaminação.

A doença da Vaca Louca, que destrói as células do cérebro do animal, está ligada à uma variante humana, a síndrome de Creutzfeldt-Jakob (MCJ), mortal para os humanos.

''Nós sabíamos que havia a possibilidade da doença da Vaca Louca ter chegado aqui, já que o Japão importou farinha animal da Grã-Bretanha'', afirmou à AFP um especialista europeu em questões agrícolas em Tóquio.

''Mas podemos dizer que os japoneses não procuravam com afinco. Eles não queriam encarar o problema'', disse.

Apesar disso, parabenizou a decisão tomada no último mês pelo Ministério da Saúde de realizar testes com 10 mil bovinos a partir de 2002, em vez dos cem habituais.

As dez mil cabeças de gado em questão apresentam problemas e fazem parte do 1,3 milhão abatidas por ano no país.

mockup