Rio de Janeiro - A primeira prévia do Índice Geral de Preços - Mercado (IGP-M) de setembro foi bem maior do que a de agosto: 0,35%, ante 0,19% do mês anterior. Mas na avaliação do coordenador de Análises Econômicas da Fundação Getúlio Vargas (FGV), Salomão Quadros, a elevação não deve ser encarada como um indicativo de repique inflacionário no mês. Para ele, o índice de agosto é que foi ''anormalmente baixo'', beneficiado por queda intensa e sazonal nos preços dos produtos agrícolas.
''Esta alta de 0,35% é menor do que a média das primeiras prévias do IGP-M nos últimos seis meses'', minimizou, acrescentando esperar que o IGP-M de setembro fique abaixo do resultado de agosto (1,22%). Quadros defendeu novamente a manutenção da taxa básica de juros (Selic) em 16% este mês. ''No momento, não estão ocorrendo repiques inflacionários que justifiquem uma alta (nos juros), e sim casos isolados de alta de preços, com grande intensidade, como foi o caso do setor siderúrgico'', disse.
Para ele, uma alta de juros ''tem seus custos'', principalmente no cenário atual, em que há interesse nos estímulos ao crescimento da economia. O economista não descarta, porém, a possibilidade de alta dos juros até o fim do ano.
Em 2004, o IGP-M acumula alta de 9,88%; e em 12 meses o indicador tem elevação de 11,52%. Na primeira prévia do índice, que vai do dia 21 a 30 de agosto, o Índice de Preços por Atacado (IPA) subiu para 0,37% em setembro ante 0,07% no mês anterior. ''Em agosto, o IPA, que representa 60% do IGP-M, ficou muito baixo devido à queda de 0,70% nos produtos agrícolas naquele mês'', lembrou o economista, acrescentando que, em setembro, os itens agrícolas continuaram em queda (-0,25%).
No varejo, o Índice de Preços ao Consumidor (IPC) subiu apenas 0,14% em setembro, ante taxa de 0,32% em agosto. A FGV informou ainda que o Índice Nacional do Custo da Construção (INCC) subiu 0,80% em setembro, ante taxa de 0,71% em agosto.

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