O pagamento da primeira parcela do 13º salário efetuado ontem pelas empresas não deverá provocar impacto sobre o consumo de imediato. Pelo contrário, boa parte será aplicada no pagamento de dívidas com o cartão de crédito e cheque especial, onde a taxa de juros está oscilando em 16% ao mês. O presidente do Conselho Regional de Economia (Corecom-PR), Luiz Eduardo Sebastiani prevê a entrada de R$ 900 milhões a R$ 1 bilhão na economia do Estado com o pagamento das duas parcelas do 13º. Isso corresponde a uma queda em relação ao pagamento do salário de dezembro de 1997, que chegou a R$ 1,1 bilhão.
O supervisor do Dieese, Cid Cordeiro, disse que o trabalhador continua endividado e deverá empenhar a primeira parcela do seu 13º salário no pagamento de dívidas, pelo segundo ano consecutivo. A segunda parcela, que deverá ser paga no dia 20 de dezembro, será reservada para a compra de presentes de pequeno valor e ‘‘lembrancinhas’’, acrescentou.
Cordeiro destacou um fenômeno registrado no ano passado e que poderá se repetir este ano. ‘‘Apesar de os indicadores econômicos não serem bons em termos econômicos, o calendário de pagamentos no mês de dezembro favorece uma recaída aos apelos de consumo que são muito fortes nesta época do ano’’. Isto porque o pagamento da primeira parcela do 13º foi feita ontem. No quinto dia útil de dezembro, o assalariado recebe o pagamento de novembro e no próximo dia 21, recebe a segunda parcela do décimo terceiro.‘‘Portanto com esses valores somados, além do pagamento das dívidas, sobram resíduos para o consumo’’, concluiu.
Apesar da queda para o consumo, Cordeiro acredita que o trabalhador vai reservar uma parte do 13º para a poupança. Segundo ele, o trabalhador está assustado com o aumento do desemprego, as altas de juros, as férias coletivas das grandes empresas. ‘‘São fatores que deverão limitar o impulso de consumo neste momento’’, resumiu.
Para Sebastiani, este final de ano o endividamento das famílias está maior porque a inadimplência atual em torno de 35% a 40%, também está superando a do ano passado. ‘‘ A queda da atividade econômica está acentuada neste final de ano’’, disse. Ele prevê um impacto sobre o consumo a partir do dia 20 de dezembro, período que deverá concentrar o pagamento da segunda parcela do décimo terceiro efetuado pela iniciativa privada e o pagamento em parcela única do 13% feito pelos órgãos e empresas do setor público. Ele concorda que entre 60% a 70% do pagamento extra será reservado para o pagamento de dívidas e o restante para a compra de presentes de baixo valor.

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