Primeira greve de montadoras no Paraná pára totalmente a produção
Carmem Murara
De Curitiba
A greve dos metalúrgicos nas montadoras da Região Metropolitana de Curitiba paralisou ontem por completo as linhas de produção da Renault, Volkswagen/Audi e Volvo, marcando a primeira greve para as novas empresas automobilísticas instaladas no Estado. Nenhum funcionário pôde entrar para trabalhar devido aos piquetes montados em frente aos portões das fábricas, desde às 5 horas da manhã. As três fábricas deixaram de produzir 350 carros e ônibus e cerca de 5,5 mil funcionários ficaram sem trabalhar.
A manifestação dos metalúrgicos faz parte do festival de greves, movimento nacional feito em todos os Estados onde há montadoras. O primeiro protesto foi há três semanas, em Betim (MG), onde houve confronto com a polícia mineira.
Em Curitiba, a greve foi pacífica e o máximo de transtorno que provocou foi a suspensão do trabalho. Os policiais acompanharam de longe os protestos, que foram mais acentuados em frente à fábrica da Audi. Tínhamos prometido e fizemos uma manifestação tranquila e justa. Queremos reposição salarial e a redução da jornada de trabalho. Não queremos bagunça, afirmou o presidente do Sindicato dos Metalúrgicos, Sérgio Butka.
As montadoras se surpreenderam com a organização do movimento, que contou com o apoio de 300 sindicalistas de São Paulo, Rio de Janeiro, Santa Catarina e Rio Grande do Sul. Eles são da Força Sindical e da CUT e vieram de ônibus. Estiveram presentes Egberto Guiba (presidente da Confederação Nacional dos Metalúrgicos), Carlos Alberto Grana (vice-presidente do Sindicato dos Metalúrgicos do ABC paulista) e Paulinho Pereira (presidente da Força Sindical).
A maioria dos diretores e gerentes das empresas chegou a ir para as fábricas, na esperança de encontrar um movimento enfraquecido. Na metade da manhã, eles retornaram para suas casas. Apenas um grupo responsável pelos serviços essenciais das fábricas foi autorizado pelos sindicalistas a entrar. O bloqueio mais intenso ocorreu tanto no início da manhã, quanto no meio da tarde, quando deveria ocorrer a troca de turno.
Os metalúrgicos pedem reposição salarial de 5,6%, mais participação nos lucros e resultados e abono salarial. Eles querem ainda a redução de 44 para 40 horas por semana na jornada de trabalho. As montadoras, representadas pelo Sindicato das Empresas Fabricantes de Veículos Automotores (Sinfavea) oferecem 3,5% mais um abono de R$ 60 e manutenção da jornada de trabalho.
O percentual negociado em Curitiba é inferior aos 10% de reajuste que estão sendo conquistados em São Paulo, onde os salários médios chegam a R$ 1,5 mil, enquanto na Audi e Renault são de R$ 1,1 mil e na Volvo são de R$ 1,2 mil.
A assessoria da Audi informou que pretende descontar o dia parado do salário dos funcionários. Já a Renault não definiu ainda, mas a tendência é não fazer o desconto, pois a montadora entendeu que os metalúrgicos queriam trabalhar, mas foram impedidos pelos sindicalistas.Os 5,5 mil funcionários da Renault, VW/Audi e Volvo cruzaram os braços ontem, deixando de produzir 350 caros
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