Daqui a dois anos o Paraná disporá de tecnologia que permitirá prever a distribuição de chuvas e oscilações de temperatura com até três meses de antecedência, como já acontece nos Estados Unidos e na Europa. O Simepar (Sistema Meteorológico do Paraná) reuniu semana passada em Curitiba os maiores especialistas em climatologia do Brasil, Uruguai, Argentina e Estados Unidos para discutir como aplicarão, em nível regional, as previsões climáticas que atualmente são feitas em escala global.
Agricultores e setores energético e de abastecimento de água serão os maiores beneficiários da nova tecnologia. É preciso que eles, ao receberem as informações, entendam-nas e as utilizem com agilidade, garantindo assim a produtividade.
O Simepar trabalhará em conjunto com o IRI (Internaticonal Research Institute for Climate Prediction), que tem sua sede na Universidade de Columbia, em Nova York. As duas instituições têm condições de transferir, interpretar e operacionalizar as previsões globais de longo prazo para a escala regional. Por isso, o Paraná foi escolhido para sediar o encontro e trabalhar junto com os técnicos norte-americanos.
No encontro, que reuniu vários PhDs em climatologia, entre eles Antônio Divino Moura, do IRI, e Walter Baethgen, especialista em aplicação de previsões climáticas na agricultura, concluiu-se que a meta será transferir as previsões climáticas globais para o Paraná e colaborar nos esforços multinacionais para outras regiões do Cone Sul (Brasil, Argentina e Uruguai). Também serão desenvolvidos processos que melhorem a previsibilidade de chuvas e de oscilação de temperatura, bem como os impactos da variação do clima na agricultura, no setor energético e no abastecimento de água.
O IRI foi criado em dezembro de 1996 por cientistas e pesquisadores de clima da Universidade de Columbia e da Califórnia, com apoio da NOAA (Agência Norte-Americana para Oceanos e Atmosfera), órgão do Ministério do Comércio dos EUA.
‘‘Hoje ele ainda é uma idéia em formação, que tem por objetivo realizar pesquisas climáticas, fazer previsões experimentais e aplicá-las a nível regional com maior grau de certeza’’, explicou Antônio Moura. ‘‘Estamos também realizando um grande esforço de educação e preparação de pessoas qualificadas para demonstrar a aplicabilidade das previsões climáticas’’.
Grupos paralelos de cientistas dos Estados Unidos, Japão, Canadá, Taiwan, Inglaterra, Austrália e Brasil estão estudando aspectos legais que permitirão transformar o IRI em uma fundação internacional, uma espécie de agência multinacional de previsões climáticas que forneceria previsões a qualquer país interessado. A expectativa é para que no prazo de três anos esteja funcionando como organismo multinacional.

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