As previsões de agentes de mercado para 2015 apontavam para uma inflação oficial de 6,6%, taxa Selic de 12,5%, crescimento do Produto Interno Bruto (PIB) de 0,5% e dólar a R$ 2,80, conforme o Boletim Focus divulgado pelo Banco Central em 26 de dezembro de 2014. Números muito otimistas quando comparadas com as do mesmo levantamento no último mês de 2015, de inflação de 10,7%, Selic a 14,25%, PIB negativo em 3,7% e câmbio em R$ 3,90, diz o economista Cid Cordeiro. "As estimativas de futuro são muito baseadas no presente e qualquer alteração em políticas monetárias, econômicas ou de renda podem mudar esse quadro."

Ele lembra que não se trata de criticar o mercado, que faz estimativas até próximas às do próprio governo, mas de chamar a atenção para a chance de mudar o andamento da economia. Com os sinais dados até o fim de dezembro de 2015, Cordeiro diz que ninguém poderia negar que o Brasil terá aumento do desemprego, retração do PIB e piora nos indicadores. "O que se pode fazer é tentar mudar esse cenário."

O professor de economia Fabiano Dalto, da UFPR, insiste que o governo terá folga na crise política no início do ano e que precisa anunciar medidas de consenso, como investimentos em infraestrutura, para ganhar confiança dos empresários. "Desde 2014 até agora, só anunciaram reformas que atingem os trabalhadores, diminuem a renda e o consumo. O governo dizia que teríamos retomada da economia no segundo semestre de 2015 e não foi assim, então é preciso criar um plano de investimentos."

O delegado em Londrina do Corecon, Laércio Rodrigues de Oliveira, completa que há outros nós a desatar, como a alta taxa básica de juros, a Selic, que não controla a inflação porque a demanda por produtos já é baixa. "Outro problema é que as grandes empresas, que seriam as interessadas em leilões de infraestrutura, estão envolvidas em denúncias de corrupção. O governo acenou com um acordo de leniência que não as impediria de atuar, mas é preciso encontrar uma forma logo, porque pequenas e médias empresas não têm condições de entrar nesse mercado", explica. (F.G.)

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