São Paulo Por trás do otimismo apontado pela pesquisa da Serasa está a aposta das empresas de que a massa salarial continuará crescendo, estimulada pela recuperação do emprego, pelo aumento da oferta de crédito e pela redução dos juros. Além disso, o consumo também será favorecido pelos efeitos da Copa do Mundo e das eleições.
Os fabricantes de televisores, por exemplo, entraram em campo para bater todos os recordes de vendas neste ano de Copa. A expectativa da Eletros, entidade que reúne as empresas do setor, é de que os brasileiros comprem 10,9 milhões de TVs, o equivalente a 1,1 milhão de aparelhos a mais que o recorde anterior, registrado em 2005 (9,8 milhões de unidades). Se a previsão se confirmar, representará aumento de 12%.
A Semp Toshiba, que disputa a liderança de vendas de TVs com a Philips, espera vender este ano de 20% a 25% mais do que em 2005, quando faturou quase R$ 1,9 bilhão. ''Estamos otimistas porque as nossas vendas de televisores cresceram 30% no primeiro trimestre, em relação a igual período do ano passado'', afirma Luís Freitas, diretor de Vendas da empresa.
O otimismo da indústria é confirmado pelo varejo. A Casas Bahia, maior rede de eletroeletrônicos e móveis do País, espera faturar R$ 13,5 bilhões este ano, R$ 2 bilhões a mais do que em 2005. Michael Klein, diretor-executivo, diz que a rede pretende investir este R$ 200 milhões este ano. Metade dos recursos deverá ser aplicada em 100 novas lojas. A rede espera chegar ao fim de dezembro com 600 pontos de venda. Os outros R$ 100 milhões deverão ser usados na construção de três novos centros de distribuição. Com esses investimentos, a rede deverá abrir 10 mil postos de trabalho com carteira assinada este ano. Hoje, a rede emprega 56 mil pessoas.
De acordo com as instituições financeiras que participaram da pesquisa, a oferta de crédito deverá crescer tanto para os consumidores quanto para as empresas. Já entre as empresas em geral, 50% apostam na queda da taxa básica de juros (Selic).
Não foi por obra do acaso que a Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp) já reviu sua estimativa de crescimento para o PIB deste ano, de 3% para 4%. A entidade detectou que o nível de atividade industrial no Estado vem crescendo desde novembro de 2005.
Um dos primeiros sinais disso foi dado pelo setor automobilístico. No mês passado, as montadoras bateram recorde com a produção de 230,8 mil veículos, o que representou aumento de 12,3% em relação a fevereiro. O recorde anterior havia sido registrado em agosto de 2005, com 230,6 mil unidades produzidas. (M.R.)

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