Arquivo FolhaDesencontrosWilson Baggio, da Faep, contesta previsão da Abecafé: ‘‘Especulação para privilegiar exportadores’’ Os produtores de café do Paraná denunciam uma especulação no mercado de café, a partir de informações desencontradas sobre previsão da safra 98/99. A Federação da Agricultura do Paraná acusa a Abecafé (Associação Brasileira dos Exportadores de Café) de fazer uma previsão acima da realidade e provocar uma queda nos preços pagos ao produtor. A Secretaria da Agricultura do Paraná constatou a queda de 23% no preço do produto em 30 dias. ‘‘Nos últimos 10 dias, a queda foi mais acentuada, em torno de 14%’, afirmou a técnica do Deral, Margorette Demarchi.
A técnica do Deral aponta um desencontro de informações sobre previsão da safra de café 98/99. Segundo ela, o Departamento Nacional do Café, órgão vinculado ao Ministério da Indústria, Comércio e do Turismo, avalia que o País vai colher 31,2 milhões de sacas de 60 quilos. Enquanto a Abecafé avalia que a safra nacional vai atingir 35,2 milhões de sacas, uma elevação de 4 milhões de sacas sobre a estimativa oficial.
A previsão da Abecafé está sendo contestada pelo integrante do Conselho Deliberativo da Política Cafeeira, do MICT, e presidente da Comissão Técnica do Café da Faep, Wilson Baggio. Ele acusa a entidade de especular com o mercado e provocar queda de preços da matéria-prima, para beneficiar os exportadores. Conforme levantamento da Seab, a saca de 60 quilos que estava sendo comercializada por R$ 216,00 no mês passado, agora está sendo negociada por R$ 168,00.
Segundo Baggio, o levantamento do governo foi feito por 350 engenheiros agrônomos especializados em café, que visitaram 2.660 propriedades do país. O levantamento foi feito em novembro nos cinco principais Estados produtores. Foram realizadas 1.250 visitas em Minas Gerais, 600 no Espírito Santo, 400 em São Paulo, 243 na Bahia e 167 no Paraná.
Para o presidente da Abecafé, Jorge Esteves Jorge, a queda nos preços da saca de café se deve à proximidade da entrada da safra e não à previsão de café feita pela entidade que preside. Ele acrescenta ainda que houve queda nas cotações do café brasileiro na Bolsa de Nova York, refletindo no mercado interno. Jorge defendeu a metodologia utilizada pela Abecafé e afirmou que a pesquisa foi feita com mais de 20 empresas exportadoras filiadas. Cada empresa fez uma previsão de forma sigilosa e não houve comunicação entre elas. O resultado foi tabulado posteriormente pelo secretário geral da Abecafé.
Segundo Jorge, todas as empresas exportadoras mantém uma rede de informações na zona de produção, através de escritórios e contatos com o produtor, que as credencia a fazer as previsões. O presidente da Abecafé não contesta os números oficiais do governo, mas argumenta que a previsão do Denac foi feita em novembro, época de florada. Enquanto a previsão da Abecafé foi feita em março, quando os grãos estão maduros e a margem de erro menor. ‘‘O mercado é livre e cada segmento trabalha com a previsão que julgar correta’’, disse.

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