O Produto Interno Bruto (PIB) do País deve crescer 2,5% em 2013, ante projeção anterior do Banco Central (BC) de 2,7%. Mesmo com a redução, o número que consta no Relatório Trimestral de Inflação, divulgado ontem, fica mais próximo de previsões do mercado financeiro, que até o mês passado apontavam para um cenário mais pessimista para a economia. Tanto o boletim Focus quanto a Confederação Nacional da Indústria (CNI) estimaram em 2,4% o desempenho nacional no ano, o que, no caso da entidade empresarial, significa uma boa diferença sobre os 2% da análise anterior.
Entre os indicadores que fizeram com que os números do governo e de empresários se aproximassem está o recuo da inflação até 6,09% em agosto, no acumulado dos últimos 12 meses, pelo Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA). Conforme o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), ainda houve crescimento no PIB em 1,5% no segundo trimestre e redução no desemprego de 5,6% para 5,3% em agosto. Índices que, se não chegam a ser animadores, indicam certa estabilidade depois de tantas previsões ruins durante o primeiro semestre.
Para o fim do ano, analistas apontam que não há como fugir desses números. O delegado em Londrina do Conselho Regional de Economia (Corecon), Laercio Rodrigues de Oliveira, afirma que é preciso pensar em reformas para 2014 porque o desemprego caiu, mas não há crescimento pela falta de produtividade. "O modelo de incentivo ao consumo está esgotado porque desonerações, programas como o Minha Casa Minha Vida ou Minha Casa Melhor e redução dos juros já não funcionam mais."
Por isso, as peças que fecharão o quebra-cabeças do PIB giram em torno dos juros e do sucesso de negociações de dívidas na Europa e nos Estados Unidos, que poderiam ter reflexo nos investimentos internos. O supervisor técnico do Departamento Intersindical de Estatísticas e Estudos Socioeconômicos (Dieese) do Paraná, Sandro Silva, afirma que os reajustes promovidos pelo BC para a taxa básica, a Selic, podem prejudicar o crescimento e ter parcos efeitos sobre a inflação. "Houve pressão forte do setor financeiro para o governo elevar juros em um momento de crescimento econômico baixo. Houve aumento da inflação por questões pontuais e já havia a expectativa de que cairia no segundo semestre", diz.
O economista conta que a pressão continua, para que a Selic chegue a 9,75% antes de 2014, mesmo com reduções sequenciais nos índices de inflação. "Em 2012 o governo gastou R$ 254 bilhões para pagar juros da dívida pública, dez vezes o valor gasto com o Bolsa Família. Quem pressiona por essa alta tem interesse", diz Silva, ao lembrar que o País paga quase 5% do PIB em juros.
Integrante do Grupo Macroeconomia Estruturalista do Desenvolvimento, do Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq), Luciano D’Agostini completa que o correto é observar a expectativa de inflação, e não o índice do momento. Ele vê a média de 5,6% para a alta de preços como normal nos últimos anos no Brasil e considera a variação da Selic "cavalar". "O governo teria outras medidas a tomar, como controle do crédito e de depósitos compulsórios (sobre depósitos à vista de bancos comerciais) para manter a taxa em 7%."
D’Agostini lembra, no entanto, de mais um papel desempenhado pela alta da Selic. "O Brasil capta dinheiro internacional, porque houve saída de dólares nos últimos meses. Estão atraindo investidores com os juros mais altos e evitando que agências internacionais diminuam a nota de crédito do País."
Para ele, ainda há risco de queda e de alta do PIB conforme o andamento da negociação de dívidas nas principais economias do mundo. "Na Europa, há títulos para vencer na Espanha que precisam ser negociados em dezembro e podem impactar na liquidez da nossa economia. E os EUA têm que discutir se alteram o teto da dívida deles."

Imagem ilustrativa da imagem Previsão para PIB fecha em 2,5%



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