Previsão para inflação no ano se aproxima dos 7%
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terça-feira, 27 de janeiro de 2015
Fábio Galiotto<br> Reportagem Local 
Com a crise hídrica que afeta os setores produtivo e de eletricidade aliada às medidas de austeridades anunciadas pelo governo federal, o Banco Central (BC) divulgou ontem que agentes do mercado acreditam que a inflação chegue a 6,99% em 2015. Segundo o Boletim Focus, a previsão era de 6,69% há uma semana e de 6,53% há um mês.
O BC define a meta inflacionária para o ano em 4,50%, com tolerância de dois pontos percentuais para cima ou para baixo. Os preços administrados pelo governo, como energia elétrica e combustíveis, são os maiores causadores da projeção do BC. A expectativa para o indicador era de 7,80% há quatro semanas, de 8,20% há sete dias e de 8,70% ontem, de acordo com o Focus.
Ainda, houve aceleração do Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo15 (IPCA-15), que mede a prévia da inflação oficial mensal e foi anunciado na última sexta-feira pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). O indicador até meados deste mês marcou 0,89%, mais do que os 0,67% do mesmo período de 2014 e do que os 0,79% do mês passado.
Coordenador do curso de economia da Universidade Positivo, Lucas Dezordi afirma que o mercado começa a precificar o cenário de falta dágua e de apagão energético, causado pela crise hídrica principalmente na região Sudeste do País. "Há uma projeção de aumento dos preços pela queda na oferta de alguns produtos, que pode ocorrer por causa da seca."
Se não chover nos locais mais necessitados, ele diz que os reajustes da tarifa de energia elétrica e de combustíveis podem ser maiores. "A indústria não tem um plano B e está muito preocupada com o aumento de custos causado pelo ajuste fiscal do governo, o que tem reflexo também pelas medidas do governador do Paraná, de aumentar impostos", afirma Dezordi.
Para o professor de economia Fabiano Dalto, da Universidade Federal do Paraná (UFPR), os números divulgados pelo BC não poderiam ser diferentes diante da repercussão das medidas de austeridade para a política fiscal, com alta nos impostos. "O aumento dos juros também faz com que as empresas não prevejam qualquer chance de melhora nos investimentos", conta.
Dezordi diz que os poderes Executivo e Legislativo ainda precisam aprovar ajustes mais fortes nos gastos públicos, para diminuir o peso do aumento de tributos que recaiu sobre o consumidor e sobre os empresários. Dalto, no entanto, faz críticas à estratégia ortodoxa do governo para corrigir os problemas de baixo crescimento do Produto Interno Bruto (PIB) e da alta inflação. Ele considera que o correto seria investir em produção, em infraestrutura e no País.
O professor da UFPR cita o caso da Grécia, que passou por anos de medidas de austeridade após entrar em crise econômica e que elegeu no último fim de semana o partido de extrema esquerda Syriza, que fez promessas de uma política antiausteridade. Dalto considera que a necessidade de se ter superavit primário, motivo para as medidas tomadas pelo Brasil, é falsa e cita que Estados Unidos e Inglaterra são conhecidos por gastar mais do que arrecadam, em benefício do desenvolvimento das nações. "Se você paga mais tributos ao Estado do que recebe em serviços, o governo tem superavit e você, deficit", diz. "É normal existir deficit público, ainda mais quando o País cresce pouco ou está em recessão, porque se gastar menos vai gerar renda menor para todos", completa, ao pedir mais recursos para saúde, educação e infraestrutura.


