Previsão é de preço alto este ano
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segunda-feira, 11 de setembro de 2000
France Presse De Caracas 
O presidente da Organização de Países Exportadores de Petróleo (Opep) e ministro da energia venezuelano, Alí Rodríguez, afirmou ontem que o impacto do aumento da produção em 800 mil barris diários será sentido no próximo ano. A especulação e altos impostos possivelmente não vão permitir que baixem os preços como deveriam de acordo com o volume da produção atual, disse Rodríguez, em Viena. Ele explicou que atualmente não existe um dramático problema de oferta no mercado porque, inclusive, os países produtores não-Opep estão em plena capacidade, produzindo quase 3,4 milhões de barris.
Rodríguez disse que os obstáculos são colocados pelos governos, principalmente a União Européia, posto que resistem a baixar os altíssimos impostos e ao encarecer o preço final dos produtos cria, inevitavelmente, impacto nos preços do bruto. A participação nossa no custo final do que pagam os consumidores europeus é de 12% enquanto a participação de seus governos, através dos impostos, chega a 84% e eles se negam sequer a considerar este problema, queixou-se.
Também analistas em Londres não acreditam em queda de preço até o final do ano. Eles estimam que o barril custará US$ 30 durante o inverno no Hemisfério Norte. O preço do barril de petróleo Brent estava em baixa na manhã de ontem em Londres. Às 7h02min de Brasília, o barril de Brent (o petróleo do Mar do Norte, que serve de referência) estava cotado no International Petroleum Exchange de Londres em US$ 32,33, contra US$ 32,78 na sexta-feira passada. Às 9 horas de Brasília, estava cotado em US$ 32,40.
O barril de petróleo atingiu semana passada o preço mais alto dos últimos 10 anos: mais de US$ 35. Os preços vão baixar, mas não terão uma queda brusca, sobretudo por causa da escassez atual, opinou Lawrence Eagles, analista da corretora GNI. Para Leo Drollas, especialista do Center for Global Energy Studies (CGES), as cotações do petróleo vão continuar baixando, mas de forma limitada, para perder um dólar por barril aproximadamente a cada semana. A curto prazo, as cotações vão baixar, mas não muito, acrescentou.
Os especialistas estão divididos quanto à verdadeira dimensão do aumento da produção decidido pela Opep. Alguns assinalam que a Arábia Saudita já superou suas cotas nas últimas semanas e que o petróleo adicional que chegará no mercado não passará de 300 mil barris diários.


