Previsão é de movimento em alta
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domingo, 14 de junho de 1998
Agência Estado 
Arquivo FolhaRisco de encalheRoberto Chadad, da Abravest, que representa 17 mil confecções: Roupa de inverno é um problemaço
Fabricantes e varejistas que comercializam produtos mais consumidos no inverno, como aquecedores, sopas, bebidas destiladas e vinhos, esperam vender este ano até 30% a mais por conta das baixas temperaturas. Apesar de o mercado consumidor como um todo não ter crescido nos últimos meses e ter sido afetado negativamente por causa da altos índices de inadimplência e desemprego, os empresários estão otimistas.
Quem vende produtos mais caros, como aquecedores, justifica o prognóstico positivo, argumentando que, com a melhoria do poder aquisitivo registrada nos últimos anos, o consumidor conseguiu uma folga para comprar produtos mais específicos. Já quem vende, vinhos, destilados, sopas e alimentos típicos de inverno, diz que o valor unitário de seus produtos é muito reduzido e não seria afetado por restrições orçamentárias.
Há três anos, os lojistas nem expunham aquecedores na vitrines, diz o diretor-comercial da Mallory, Giovani Cardoso. A empresa se programou para produzir um volume 30% maior de aquecedores neste inverno na comparação com igual período do ano anterior.
Essa também é a argumentação dos fabricantes de alimentos. A Yoki, especializada em produtos juninos de inverno, como amendoim, pipoca, canjica, entre outros, projeta acréscimo de 15% nas vendas deste ano em relação às do inverno de 1997. São produtos de baixo valor, que não foram afetados pelo congelamento de salários, diz o vice-presidente, Gabriel Cherubini.
De olho no mercado de alimentos de baixo valor unitário, a Bonduelle e a Knorr estão fazendo investimento de peso no segmentos de sopas. Especializada em legumes supergelados, a Bonduelle lança este mês, de forma experimental na capital paulista, sopas prontas congeladas, que custam de R$ 4 a R$ 6 o quilo. A perspectiva é que as vendas do produto respondam por 1% do faturamento da empresa no Brasil este ano, estimado em R$ 16 milhões. A Knorr, que já atua nesse segmento de sopas e caldos, está colocando 21 novos produtos.
A preferência pelo produto nacional fez com que o fabricante de uma bebida genuinamente brasileira, o aguardente de cana, apostasse no mercado de bebidas de inverno. A Indústrias Reunidas de Bebidas (IRB), dona das marcas Tatuzinho, 3 Fazendas e Velho Barreiro, investiu US$ 6 milhões na produção de uma cachaça premium, cujo litro custa para o consumiodr R$ 5. A perspectiva, segundo o diretor-superintendente IRB, Cesar Rosa, é ampliar em 10% as vendas de bebidas destiladas neste inverno.


