Previsão do USDA derruba preço mundial da soja
PUBLICAÇÃO
terça-feira, 31 de março de 1998
Guto Rocha 
O primeiro relatório de intenção de plantio nos Estados Unidos, divulgado ontem pelo USDA (Departamento de Agricultura) deixou o mercado de soja praticamente paralisado. Os números do USDA indicam um crescimento de 2% na área plantada nos EUA. As lavouras de soja deverão ocupar 72 milhões de acres (29.145 milhões de ha) e as de milho 80,7 milhões de acres (32,7 milhões ha).
Segundo Hermelino Nogueira, gerente de comercialização da cooperativa Valcoop, de Londrina, o reflexo do anúncio foi imediato. As cotações da soja na Bolsa de Chicago para maio fecharam com baixa de 4,75 pontos. E os grande compradores do mercado interno desapareceram, comentou.
Nogueira observa que no mesmo período do ano passado, a soja em Chicago havia sido cotada em 8,20 centavos de dólar/bushel, contra os 6,45 centavos de dólar registrados no fechamento de ontem. Uma queda de 27%.O grão só caiu mais porque as cotações do óleo de soja acabaram sustentando os preços, comentou. No mercado interno, as cotações da saca ontem ficaram em R$ 13,00/13,20, uma queda de 23% em relação aos R$ 16,00/saca do mesmo dia do ano passado.
A expectativa dos analistas de mercado é de que os preços da soja caiam ainda mais, afirmou Nogueira. Ele explicou que com a produção dos EUA somada à da América Latina, os estoques mundiais este ano deverão ser recompostos. A previsão é de que haja uma pressão grande de oferta, o que derrubaria os preços, analisou. Nogueira observou que nesta safra, os países da América Latina deverão colher 51 milhões de toneladas de soja, contra os 41 milhões colhidos no ano passado. O que vai balizar os preços deste mercado daqui para frente será o comportamento do clima e o desempenho da safra americana, afirmou.


