Previsão do PIB foi reduzida para 4,5%
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sexta-feira, 20 de maio de 2011
Lu Aiko Otta <br>Agência Estado 
Brasília - O governo reduziu de 5% para 4,5% a projeção de crescimento da economia brasileira em 2011, e elevou as estimativas de inflação medida pelo Índice de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) de 5% para 5,7%, no relatório bimestral de avaliação das contas federais, divulgado ontem pelo Ministério do Planejamento. Essas mudanças, porém, não foram suficientes para alterar significativamente as projeções de receitas e despesas do ano.
Assim, foi mantido o corte de R$ 50,7 bilhões nas despesas programadas para este ano, conforme anunciado no final de fevereiro passado. Houve apenas uma liberação pequena, de R$ 82 milhões, para reconstruir escolas destruídas por catástrofes naturais e para investimentos do Judiciário federal.
A manutenção do corte reforça a campanha do governo para recuperar a credibilidade da política fiscal, muito abalada no ano passado por causa do emprego de manobras contábeis que permitiram ao governo central fechar suas contas dentro da meta. Este ano, as contas do governo central (Tesouro, Previdência e Banco Central) terão de chegar, em dezembro, com um saldo positivo de R$ 81,8 bilhões. A ordem agora é cumprir a meta sem recorrer a nenhum artifício. A expectativa do governo é que metade do resultado desejado seja alcançada já em abril. O resultado será divulgado na semana que vem.
O economista-chefe da corretora Convenção, Fernando Montero, acredita que as contas do governo federal se comportarão como o esperado pelas autoridades, mas não pela contenção de gastos. O bom desempenho da arrecadação, que de janeiro a abril deste ano ficou 11,51% acima do mesmo período em 2010, explica o desempenho. ''As despesas em abril devem ter acelerado'', acredita o economista. Isso teria acontecido devido ao pagamento de decisões judiciais contrárias ao governo nas áreas de pessoal e Previdência.
Embora tenha cortado a previsão de crescimento da economia este ano, o Planejamento ainda mantém uma estimativa mais otimista do que o Banco Central, que trabalha com uma taxa de 4%. Já a projeção do IPCA, que é de 5,7%, é ligeiramente mais pessimista do que a do Banco Central, que espera 5,6%. As novas projeções do Planejamento também consideram uma alta no preço do barril do petróleo, de US$ 98,34 para US$ 103,31, e um dólar mais barato, de R$ 1,70 para R$ 1,61.


